sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

REFLEXÃO ANTI-FINAL


 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O PODER

      O PODER


Para se ser poderoso
primeiro
se precisa ser
Um patriota
um idiota
que apenas saiba falar
fazer promessas bonitas
prometer e deixar pra lá


Deve-se aprender
desviar-se das cobranças
com diplomacia
ter um rob
e um status
condizente a nata
da elite nobre


Na minha pátria
é assim
e ser assim
é preciso
ter um talão de cheque
e vários cartões
de crédito e de saque


Em comunicações
se tem que ser rac
não ser pobre
é fundamental
ter uma conta especial
especialmente no banco
é obrigatòriamente
um dever


Usar sempre
artigos importados
como se todos
fossem meras
bugingangas
confeccionados
nos fundos de quintal


Novas especiarias
estão postas à mesa
e como especialidades
sirvam-se
de:
do melhor possível
Em cinco estrelas
tem-se também
que ser besta


E em qualquer
desagrado
chamar-lo-ei
de spelunker
espelunca mesmo!
e se acercar
de babões
pedindo-lhe
para se acalmar


Na minha pátria
ser assim
é passar
por cima de tudo!
Pisando todos
sem ouvir gemidos
tomar da criança
o leite
e dizer a mãe
que vai socorrê-la


Mas depois
quando inquerido
simplesmente cobrado
- gentilmente
deve se desculpar
dizendo:
ôôôô!
Perdão
- sinto muito.
Muito mesmo!
Tinha esquecido!
Perdão,
mil vezes perdão!


... Não esquente,
não se preocupe...
Vou mandar!
Minha secretária
vai cuidar disso
ok!
E fica nisso
- Morou?
Viveu
até quando poude
depois morreu
e alí mesmo jaz


É sempre assim
que termina
o primeiro poder
e se aflora o segundo
- Da miséria humana
alimentam-se os barões
tubarões
que não se reconhecem


Foram-se os sem-terra
- o operário da obra
- o camelô da feira
- os filhos da terra
e as suas mulheres
e as suas crianças
Sem esquecer os mendigos
queimados na rua
como se fossem refugos
do racista maldito


Na minha pátria
infelizmente é assim
ainda que enfim
esses desvalidos
quando capturados
são fàcilmente
encontrados
para a exumação precóce
por uma lage que diz:
aqui jaz
- Os Desconhecidos
- Esquecidos
pela sociedade


E alheio as suas causas
o estado fica
nem os oferece uma flor
Mas o doutor
o profissional da saúde
que prescreveu o óbito
este sim!
O estado o paga
o afaga e o bonifica
e com tapinha nas costas
mas tarde 
ainda o gratifica


Carlos Drumond
aonde estás
que não desces!
Ou será
que não te aborreces?
Se é
que ainda reconheces
ter calado este erro


... ó mestre -,
por favor!
Desces
desse limbo azul
vamos consertar
essas falhas
contra
esses tantos canalhas
do mundo
e da América do Sul


Eles são famosos
e muitos
estão agindo em grupos
bem mais pior
que os leões
do senhor Leon
É uma alcatéia
inescrupulosa
imune às multas
e punições 


Rui, Drumond, Vinícius!
onde estavam
quando abençoados
pela diplomacia!
Já vos procurei
em vossos versos
e não os encontrei
nada nada nada
nada que revelassem
os fatos!


Se os que eram dos poetas
bons mestres
e não os ensinaram
em seus versos
serem na verdade
um povo forte!
E o que são os anônimos?
Um bando de ratos
amedrontados
pela figura do gato
pintado na escadaria
do sótão


Só nós
não poderemos
ser o Brasil
se nem brasileiros
somos
Se nós na verdade
fôssemos
pelo menos abá
poderíamos gritar
bem alto
Viva o Chico
nascido nú
e hoje vestido
no Vale da Batalha
lá de maragoab


Tanto faz ser
de Sobral
como da ita-pipoca
são auto-
suficientemente abás
para se dar um grito
de guerra
e dizer:
o Brasil é nosso
Mas como fazer isso
se eles dependem
do ibop
Eiê!
Vamo se aquètá
qué mió


Mesmo assim
dizem que a nossa pátria
é o Brasil
mas isso
é só no modo de dizer
porque aqui
já se está cansado
de saber
Que só quem tem pátria
é quem tem dinheiro
- e no mundo inteiro
isto sim!
É poder.


Portanto,
para se ser poderoso
em minha pátria
precisa-se dominar
tres poderes
Primeiro tercerisar
o aquisitivo
depois fechá-la na mão
a influência política
e o terceiro tê
é uma inteligência
versátil
Quem tem isso
na minha terra
tem quase tudo
porque se faltar
alguma coisa a mais
qualquer outro resto
adquire-se pelo suborno


Na minha pátria
a verdade é assim
ter dinheiro
beleza e vontade
num gesto falso
escondido na educação
de um cavalheiro
entre os mortais
é um poderoso invencível
capaz até de adiar
a visita de asmodeu


Mas mesmo assim
tem que ser único
e saber dar
abertamente
com a mão direita
e novamente tomar
com a esquerda
sem que
nenhuma outra veja
(nada contra)
mas na minha pátria
ser político é ser assim


Mas tudo bem
assim dizem os francos
subalternos e humildes
que os relevam
e os aplaudem
só por não terem
uma outra alternativa
e como se fosse
uma brincadeira
ainda os chamam
de magnatas
- uns homens bons


Na minha pátria
os poderosos
não são só
simplesmente farcista
nem tampouco racistas
ambas
são apenas
duas qualidades à parte
aderindo às outras


No meu chão
cada contraventor
é um correligionário
um estelionatário
e um homem honesto
e bom
Porque simplesmente
tira do pobre
para dar ao nobre
que o confundiram
com o pobre
e ninguém diz nada
- Muitos riem
acham isso engraçado
e retransformam
em atos panglossiano
e dizem:
tudo isso
é solidariedade


O general
acoberta o se povo
do substituto ao pracinha
- todos sabem de có
o que diz o silêncio
do código de honra
e o que é bom ou ruim
tudo se transforma
em lei
dentro da hierarquia


A presidência imunisa os seus
desde o mais alto escalão
até a mais baixa suplência
dos vereadores
Inúmeros deles
usam desse escudo
para se defenderem
dos retornos de suas falhas


O judiciário
vai quase além do limite
pois enquanto se defende
ataca seus adversários
E o civil
a humilde massa desprotegida 
zanzando sem seguança
porque a farda
lá não nos dá mais certeza
se quem está dentro dela
é um policial
ou simplesmente um bandido


tudo atualmente
começa cheirando mal
levas e levas de demônios
confeccionam máscaras
de sanros
para roubarem a fé
dos idiotas
que esperam cair do céu
o doce manjar dos deuses


Os barões das empresas
saqueiam
diplomàticamente
e depois encobrem
dando altas quantias
às instituições
beneficentes ou não
Mas lá na frente
essa caridade
que não foi oferenda
vai lhe acrescer a renda
em triplicidade
no imposto
que o leão vai cobrar
para depois devolver
- movimentaçãozinha!
parenta de segundo grau
do que se conhece
por lavagem


É sempre assim
que a maioria faz
- na Sefaz
na minha pátria
de tudo tem
é muito bom
na minha terra
O poder aquisitivo
é coletivo
- o proletário morre
a notícia corre
mas o poder
não socorre


A união que devia unir
a massa proletária
dando terra e recurso
como reforma agrária
faz é desunir
o sem terra
com a classe
latifundiária


A verdade
é que governo nenhum
nunca ligou-se ao campo
nem tampouco
ao camponês
agora depois da campa
vem apenas o óbito
o atestado que diz:
- causa morte -
E N F A R T E
ou desconhecida


Já pensou,
Como já pensei!
Um camponês
um  lavrador morrer assim!
Só na literatura de cordel

sábado, 31 de dezembro de 2011

ROTINA

               O TEMPO DA PALMATÓRIA III

               O tempo da palmatória. Em mil novecentos e sessenta, com exatamente dezesseis anos; com o meu Título de Eleitor na mão, votei pela primeira vez, e empolguei-me cívicamente; e, recentemente eu havia construido a cópia de uma máquina de datilografia, toda em madeira; e como todo adolecente que tem vontade de aparecer: escreví muitas cartas para eles, principalmente aos políticos, depois aos altos comerciantes de Santa Inês e Pindaré-Mirim.

Todas as cartas que lhes escreví, foi pensando ser correspondido e ter na verdade algum êxito. Mas foi em vão tudo aquilo; e passei a escrever para diversos outros, de Santa Luzia, Bacabal e até alguns influentes que residiam em São Luís. Mas tudo não passou de um sonho.

              Portanto abandonei tudo e me desiludí, principalmente dos homens públicos; porque dessas outras bobagens, até hoje ainda as recordo com saldades. Apesar desse tipo de sentimento, não ser o meu preferido. Provàvelmente, alguém vai prestar atenção nessa rotina; portanto, acredito que muitas coisa sejam assim, e principalmente como aprender mais fácil.

Enfoquei só os principais métodos, e um deles é o respeito. Porém, não é atoa que existe aquele velho adágio: é respeitando-se que se é respeitado.
             Por isso  é que precisamos aprender tudo, principalmente, como se ganhar e perder. E isto é o que realmente pode se chamar de:  ROTINA.   

ROTINA

               O TEMPO DA PALMATÓRIA II

               O tempo da palmatória. As meninas serviam apenas de torcida, mas aqui e acolar sempre apecia uma valentona! Mas terminava se dando mal, porque aquilo alí, era pros machos. Era assim que agente naquele tempo, agia e reagia, como criança ou adolescente; nada de drogas! nem sequer bebidas ou tabagismo; os mais perversos, às vezes furavam os outros com grafites de lápis, e até taxinhas na bunda - quando sentavam-se sem olhar aonde. Mas tudo isso dava um castigo danado, e eram bem poucos, os que se atreviam fazer isso. Mas afóra isso, todos se respeitavam.

               No dia seguinte, sobre aqueles longos e bruscos bancos de madeira, todo mundo sentava-se lado a lado, sem rixa e sem rancor; naquele tempo se podia ensinar um colega, se ele não soubesse a lição, e até se ganhava do mestre, um elogiozinho depois. Só aos sábados, não se podia - nem se devia soprar nada para ninguém; porque alí enfileirava-se todo mundo, numa meia lua em frente ao mestre, e com uma distinta austeridade, começava-se o argumento.

               ... Essa avaliação de memória, naquele tempo significava muita coisa, era que os professores, dalí retiravam as qualificações individuais de cada aluno. Aqueles que mais levassem bolos, infelizmente, não podiam se queixar de ninguém, nem para ninguém, porque eles mesmos sabiam o por que de estarem levando mais bolos.

Por isso naquele tempo se estudava de verdade, e se aprendia também de verdade; não é que as crianças, os adolecentes, ou os jovens, naquele tempo fossem mais inteligentes do que os de hoje, nada disso! É que naquela época o estudo era raro, as crianças e adolecentes em sala de aula eram disciplinados, obedientes e tinham mais interesses.

                  E porisso o estudo, sobre todas as tarefas, era atenciosamente exigido, tanto pelos mestres, como pelos pais; naquelas décadas de mil novecentos e quarenta, até mil novecentos e sessenta, o que um mestre dissesse para um aluno, era considerado como se fosse uma lei. E aí se os pais soubessem que os filhos o houvessem desobedecido! Seriam règiamente castigados, coisa que óbviamente hoje não existe mais, infelizmente.

Naqueles bons tempos - o Maranhão tinha como sussessor do governador Newton Bello, o senhor José Sarney de Araújo Costa, advogado, escritor, e profissionalmente político... Naquele tempo eu nem ainda era de maior, mas mesmo assim, graças a corrupção que existia, pude dar o meu primeiro voto. Fiquei empolgado cívicamente, mesmo estando sendo usado pelas mãos corrúptas. Recebí o meu título de eleitor aos meus dezesseis anos - em mil novecentos e sessenta.