Nisso a sua advogada de defesa
quís protestar
mas o seu protesto não foi aceito
... E a meritíssima juiza
mandou que o senhor Promotor
prosseguisse...
Prossiga doutor,
prossiga!
Obrigado meritíssima,
obrigado!
E o Promotor público
senhor Desejo
- continuou:
Em mil novecentos e sessenta e quatro
estando o réu em Pindaré-Mirim
estado do Maranhão
já não era mais um menino
- Enfiou-se na bebida
e no tabaco
vício que até então o acompanha
Mas além disso
começou a cobiçar a mulher do próximo
principalmente as mais próximas
infelizmente
abraçou também a desobediência
- Quis enveredar pela heresia
até mesmo incinerando o jornal divino
só pra vê se enricava depressa
- Lascou-se
até hoje é pobre...
Com isso a defesa pediu a palavra
e a Meritíssima a permitiu a parte
e ao ordenar que a Razão falasse
disse:
Restrinja-se às banalidades carnais
Então a defesa falou:
Senhoras e senhores,
todos os jovens
quando exatamente na adolecência
são possuidores desses impulsos
Portanto, este cidadão
não só por ser o meu cliente
mas também um ser humano
humilde e temente a Deus
- é um senhor de princípios
e quase já regenerado
de todas as falhas de que o acusam
inclusive
desses pequenos deslizes
ora revelados pelo ilustre colega
...
nada mais justo
do que sermos normais na juventude
e tudo que este homem quís
foi ser apenas um jovem popular
e nada mais
além do que a juventude quer
Como por exemplo:
Na repressão,
era escolher um presidente honesto
e só
Obrigado
assim disse a Razão
e sentou-se
Logo após pedir licença a todos
e já era um pouco tarde
- Naquela manhã
eu estava na pele dele
sobre aquela maldita cadeira dos réus
pedindo justiça a mim mesmo
para que Deus dos céus
absolvesse-me de tantas culpas
e me deixasse sair
para comer um pouco
Mas o Promotor levantou-se
e dirigindo-se para ele
virou uma página dos autos
que estava datada
de mil novecentos e sessenta e quatro
Mas, como se nada constasse
- ele pôs
atravessado na vertical da boca
o indicador da mão esquerda
e como escora
o polegar no queixo
balbuciando em sussurros
o esquecimento
E um testemunha ocular do acusado
o reclamou
pelo seu mal procedimento
- Naquele mesmo instante
a Defesa interferiu
e fez a sua queixa
E a Consciência,
Meritíssima Juiza do Quinto Empírio
(Varangélica dos limbos)
e atuante
em todas as varas criminais
que dizem respeito a terceira estância!
Suspendeu a seção
- adiou o julgamento
e por um tempo indeterminado
entrou de recesso a Côrte.
domingo, 29 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
O JULGAMENTO II (singular)
Logo depois
reiniciou novamente o julgamento
e o senhor promotor
recomeçou dizendo:
- Meritíssima senhora juiza
- Senhores advogados
- Senhoras e senhores do júri
e os demais
senhoras e senhores aqui presentes
... ainda em mil novecentos
e cinquenta e quatro
o réu pela segunda vez
aderiu-se novamente à contravenção
. Apossando-se de um cofre
que era exatamente do seu primo
arrebentou bruscamente a cerâmica
e despedaçando-o
retirou todas as moedas
e gastou-as com balas
para distribuí-las
entre as crianças da rua
... de lá para cá
só Deus sabe o quê mais...
Nisso, a Razão falou:
Meritíssima, eu protesto!
Protesto aceito,
assim disse a Meritíssima Juiza
... e enquanto o Promotor
voltava à sala
como quem tentava
lembrar alguma coisa
O senhor Pensamento
digníssimo doutor advogado
de defesa
- temperou a garganta
e ao mesmo tempo pediu perdão
pelo ato deselegante
E já de pé
se auto-indicava
com o seu próprio dedo
- solicitando a vez
E a meritíssima senhora doutora
o permitiu a fala
mas, como entre uns e outros
haviam muitos sussurros
mais uma vez ela bateu o martelo
e bradou:
- Silêêêênciooooooooooooo!
E tudo calou-se
Então o Pensamento agradeceu
e dando uns dois ou tres passos à frente
Parou
reviu algumas anotações
retiradas dos autos
e num tom de sinceridade
começou revelar a verdade mista que
todos os seres da sociedade humana
óbviamente possui
Nenhum ser humano
mesmo quando ainda embrião ou feto
pode ou deve
ser um deserdado dos seus direitos
- Exceto se nalguns deles
for incorrido premeditadamente
a excessividade
Porque segundo a lei das leis
para cada coisa
há realmente um limite
E todos aqueles
que ultrapassarem esse limite
a nossa própria colega de magistério
os abandonará
e eles
ficarão à mercê da justiça humana
coisa que até então se espera
e jamais se viu entre os povos
de todas as nações
Portanto
o que este senhor fez na sua adolecencia
é o mesmo que ele gostaria de ter feito
na sua breve juventude
assim como ainda pretende fazer
na sua longa idoneidade
- isso porque se ser fraterno
para com os nossos semelhantes
é o mais correto de todos os deveres
e isso! De cada um de nós
... obrigado
muito obrigado e sentou-se
Mas mesmo assim
o Promotor levantou-se novamente
e revirando algumas páginas
especialmente copiadas dos autos
- tudo baseado em depoimentos anexados
desde mil novecentos
e cinquenta e seis
ergueu os olhos por cima dos óculos
e num olhar geral
virou-se frente a frente
para o corpo de jurado e disse:
Senhoras e senhores
por mais que se tente amenizar os fatos
e aforando-se outras evidências
continua o réu
sendo acusado de matar
e roubar
pelos arredores de onde reside
... as dezesseis e trinta
do dia seis de abril
de mil novecentos e cinquenta e seis
esse homem foi visto
roubando melancia no roçado
que se avizinhava ao de seu pai
... foi perseguido pelos outros meninos
até o final do dia
mas quando o alcançaram
não tinha mais melancia
óbviamente (................................)
E há dezoito de junho desse mesmo ano
ele foi fragado uma vez mais
fazendo armadilhas
e de estilingue na mão
abatendo pintos pelos quintais alheios
- Aí chegou a vez das casinhas
marido e mulher
ou o tradicional exercício
- brincando de mésico...
Nisso aí foi um Deus nos acuda
só se ouvia cochichos por toda parte
Era um don juan
solto nas ruas
E em mil novecentos e sessenta
na sua puberdade
o réu abandonou a inocência
e abraçou a maldade de ser adulto
adúltero de primeira viagem
mas já com todos os requintes
dessa tal civilização moderna.
reiniciou novamente o julgamento
e o senhor promotor
recomeçou dizendo:
- Meritíssima senhora juiza
- Senhores advogados
- Senhoras e senhores do júri
e os demais
senhoras e senhores aqui presentes
... ainda em mil novecentos
e cinquenta e quatro
o réu pela segunda vez
aderiu-se novamente à contravenção
. Apossando-se de um cofre
que era exatamente do seu primo
arrebentou bruscamente a cerâmica
e despedaçando-o
retirou todas as moedas
e gastou-as com balas
para distribuí-las
entre as crianças da rua
... de lá para cá
só Deus sabe o quê mais...
Nisso, a Razão falou:
Meritíssima, eu protesto!
Protesto aceito,
assim disse a Meritíssima Juiza
... e enquanto o Promotor
voltava à sala
como quem tentava
lembrar alguma coisa
O senhor Pensamento
digníssimo doutor advogado
de defesa
- temperou a garganta
e ao mesmo tempo pediu perdão
pelo ato deselegante
E já de pé
se auto-indicava
com o seu próprio dedo
- solicitando a vez
E a meritíssima senhora doutora
o permitiu a fala
mas, como entre uns e outros
haviam muitos sussurros
mais uma vez ela bateu o martelo
e bradou:
- Silêêêênciooooooooooooo!
E tudo calou-se
Então o Pensamento agradeceu
e dando uns dois ou tres passos à frente
Parou
reviu algumas anotações
retiradas dos autos
e num tom de sinceridade
começou revelar a verdade mista que
todos os seres da sociedade humana
óbviamente possui
Nenhum ser humano
mesmo quando ainda embrião ou feto
pode ou deve
ser um deserdado dos seus direitos
- Exceto se nalguns deles
for incorrido premeditadamente
a excessividade
Porque segundo a lei das leis
para cada coisa
há realmente um limite
E todos aqueles
que ultrapassarem esse limite
a nossa própria colega de magistério
os abandonará
e eles
ficarão à mercê da justiça humana
coisa que até então se espera
e jamais se viu entre os povos
de todas as nações
Portanto
o que este senhor fez na sua adolecencia
é o mesmo que ele gostaria de ter feito
na sua breve juventude
assim como ainda pretende fazer
na sua longa idoneidade
- isso porque se ser fraterno
para com os nossos semelhantes
é o mais correto de todos os deveres
e isso! De cada um de nós
... obrigado
muito obrigado e sentou-se
Mas mesmo assim
o Promotor levantou-se novamente
e revirando algumas páginas
especialmente copiadas dos autos
- tudo baseado em depoimentos anexados
desde mil novecentos
e cinquenta e seis
ergueu os olhos por cima dos óculos
e num olhar geral
virou-se frente a frente
para o corpo de jurado e disse:
Senhoras e senhores
por mais que se tente amenizar os fatos
e aforando-se outras evidências
continua o réu
sendo acusado de matar
e roubar
pelos arredores de onde reside
... as dezesseis e trinta
do dia seis de abril
de mil novecentos e cinquenta e seis
esse homem foi visto
roubando melancia no roçado
que se avizinhava ao de seu pai
... foi perseguido pelos outros meninos
até o final do dia
mas quando o alcançaram
não tinha mais melancia
óbviamente (................................)
E há dezoito de junho desse mesmo ano
ele foi fragado uma vez mais
fazendo armadilhas
e de estilingue na mão
abatendo pintos pelos quintais alheios
- Aí chegou a vez das casinhas
marido e mulher
ou o tradicional exercício
- brincando de mésico...
Nisso aí foi um Deus nos acuda
só se ouvia cochichos por toda parte
Era um don juan
solto nas ruas
E em mil novecentos e sessenta
na sua puberdade
o réu abandonou a inocência
e abraçou a maldade de ser adulto
adúltero de primeira viagem
mas já com todos os requintes
dessa tal civilização moderna.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
O JULGAMENTO (singular)
Ontem eu era ele
mas nunca fiquei preocupado
em ser o que sou agora
não temo
nem temo ao dizer tudo
o que ele pensou
disse
e fez no passado
Abram-se as portas do fórum
supremo tribunal
de um singular juiz
Que seja o seu auditório
franqueado ao público
e a imprensa se localize para documentar
organizem-se as tribunas
inclusive a da Meritíssima Juiza
Instale-se alí a cadeira do réu
minha, ou dele!
Dele,
porque é ele que precisa dizer a verdade
para que possa ser absolvido
ou condenado
Acolar seja posta uma cadeira
porque vai ser lá
a cabine das testemunhas
e sejam esvaziados os corredores
dos senhores advogados
e promotor
Agora aqui sobre essa mesa:
a Bíblia Sagrada
vai receber a juramento da vítima
que vai ser julgada
Pronto!
Senhoras e senhores, levantem-se!
Que a meritíssima vem chegando
- assentem-se
assim disse a digníssima magistrada
que descendo à mesa do peito
sentou-se na cadeira do coração
e revendo os autos - pegou o martelo
e disse:
Está aberta a seção
Em seguida
o réu foi convidado à bíblia
para jurar:
dizer a verdade
- Só a verdade
e ele jurou
ser o próprio juiz de sí mesmo
E alí estava um homem
recapiado de falhas
subdividindo-se
num imenso corpo de jurisprudência
recompondo-se como um magnífico
ou quem sabe
- um sincero trbunal sem fantasia
que entre erros e acertos
reconhece não está equilibrado
Portanto, intimou-se a comparecer
ao tribunal de justiça
do seu próprio ego
e dentro desses poucos segundos
está ele aí
aposto na sala de justiça
onde a sua côrte já está reunida
e pronta para o submeter
ao primeiro julgamento da sua vida
... e é uma hora qualquer
mas essa hora ainda não chegou
e ele já sentou-se na cadeira dos réus
e o júri está em sí mesmo
e será todo ouvido
O promotor é democrático
- chama-se: Desejo
e é transparente nas suas acusações
Um dos seus advogados
exatamente o de defesa
é feminino
e chama-se: Razão
... mas o outro
chama-se pensamento
e também o acusa
tanto quanto o promotor
O seu júri
genéticamente
é composto de homens e mulheres
mas creio serem justos em seus veriditos
não pela meritíssima juiza
também ser feminina
mas simplesmente
por se chamar consciência
Silêncio! Bem alto assim disse ela
dou por iniciadas
as atividades desse tribunal
nas pessoas dos senhores jurisconsultos
aqui presentes
e senhoras
e senhores do corpo de jurado
- Com a palavra o senhor promotor
- Obrigado meritíssima
e levantou-se o Desejo
ainda fazendo vênia
à meritíssima
disse:
Eu na qualidade de magistrado oficial
desse ministério privado
quero tornar público
todos os atos
de desabonos de conduta
desse réu aqui presente
... e ao dizer isso
olhou à frente
os lados
depois virou-se para trás
e num gesto neutro
ou de quem reprovavao o réu
nos seus erros
- falou novamente
... Senhoras e senhores
desde o primeiro mes de 1944
o réu vem se acometendo em falhas
- umas até bem duvidosas
- outras um pouco absurdas
Não sei se todos observaram
mas até mesmo no momento de jurar
sobre a bíblia
em dizer a verdade
sòmente a verdade
observa-se pela sua mão fechada
em cima do Livro Sagrado
e isso é um desrespeito
- Protesto! Meritíssima
protesto aceito
Pode falar...
Meritíssima
a mãe dessa inocente criatura
era a mulher de um lavrador humilde
e ela
o ajudava nas labutas do roçado
e quando uma vez o ajudava
numa dessas lidas
lá pelos meados de agosto
de 1943
ela acidentalmente
o machucou num garajáu
ainda em seu ventre
tornandodo-se assim
um deficiente nato...
- ... como verem os senhores
O seu braço
e a sua mão direita
- sem tato e sem dedos
Inclusive a sua perna esquerda
que em outubro de setenta e dois
inocentemente perdeu
para os açougueiros da medicina
assim disse a Razão
e terminou dizendo:
Obrigado
E a Consciência
sendo a meritíssima juíza
- aleevantou (a cara) o rosto
abriu os seus olhos e a visão
Viu à sua frente
a estátua
que por um mero acaso
a cognominaram de justiça
e quís aborrecer-se
mas majestosamente controlou-se
e disse:
Prossiga promotor
prossiga
E só deu tempo o promotor dizer
obrigado,
logo foi interrompido
pelo seu colega de magistério
- o Pensamento
que logo em seguida
disse:
Meritíssima,
antes que o caro colega promotor
acuse este cidadão
do miserável erro de gula
e como indiciado
na perturbação do sossego
de outrens
E em seguida
na cobiça
e na irreverente desobediência
desde quarenta e quatro
... necessário se faz
'que a senhora saiba que'
óbviamente foi ele
quem o induziu a tudo isso
e ... continue - continue
disse a juiza
... perdão!
Perdão meritíssima
pois não é da minha alçada
acusar esse moço
que aos meus olhos até então
tem sido um cidadão exemplar
cívicamente democrático
e só tem feito
o que as leis lhe permitem
e a própria sociedade aplaude
... Obrigado
nobre colega
obrigado
- pode reiniciar as suas acusações
... obrigado doutora
um pouco desconfiado
assim agradeceu o promotor que
recomeçou dizendo:
Entre mil novecentos
e quarenta e nove
- e mil novecentos
e cinquenta e um
o réu levantou-se
e falou mais mentiras
do quê
a própria verdade exigia
Nessas mesmas datas
os seus pais e os seus avós paternos
o levaram para o Maranhão
mas nem mudando de estado
foi possível mudar a sua conduta
Em mil novecentos e cinquenta e dois
foi quando então
se acometendo
aos primeiros erros juvenís
e de adolecência
deu também assiduidade
aos primeiros passos nos vícios iniciais
Fumou os primeiros cigarros:
Princesa e Astória da Sousa Cruz
todos eles roubados
da quitanda do seu tio e padrinho
Cena que se repetia
sempre aos dias de domingo
ocasionalmente à tarde
usando um buraco na parede de taipa
feito pelos porcos!
Nisso se ergueu a Razão
e com a mão espalmada na vertical
solicitava aos colegas
e principalmente a meritíssima juiza
- uma breve palavra.
E por um segundo
o silêncio se fez viver
e a meritíssima a ordenou que falasse
e eladisse:
Senhoras e senhores
caros colegas
e meritíssima juiza
... todos nós ouvimos o que disse
o nosso nobre colega promotor
- Nada mais normal
que um adolecente ter essas curiosidades
desde que não sejam excessivas
para nunca me excluir dos seus atos
das suas palavras
nem dos seus pensamentos
porque sem mim
ou sem eu
o equilíbrio de qualquer um morrerá.
Obrigada
Nisso a Consciência
meritíssima juiza - bateu o martelo
e deu alguns minutos de intervalo
para todos
e a sala
inclusive o auditório esvaziou-se
e em poucos segundos
o silêncio tomou conta do tribunal
e quando despertei
estava em mil novecentos
e cinquenta e quatro
No dia seguinte
pela manhã o tribunal já estava cheio
- A Vontade era uma testemunha
e óbviamente
após ter jurado dizer a verdade
já se preparava para falar
quando o Promotor o interpelou:
Dona Vontade
aonde estava a senhora
no entardecer do terceiro domingo
de agosto
de mil novecentos cinquenta e quatro
e ela respondeu:
- Eu e ele tínhamos a mesma idade
portanto
quase sempre andávamos juntos
E naquele dia
eu estava bem próximo a ele
quando de repente o Querer
por ser um outro amigo nosso
o empurrou para dentro da quitanda
e o fez roubar cigarros
e fósforos
inclusive balas e chicletes
Depois fugimos para um matagal
que existia atrás da venda
Morávamos no interior
e a rua lá era uma só
a estrada carroçal
era como se fosse uma avenida
casas de um lado e outro
e um longo caminho de areia ao meio
a paz e a tranquilidade
reinavam alí
Então ficávamos lá entre as noites
às vezes por um longo tempo
- Eu e o Querer
nem triscamos nas coisas que ele tirou
mas ele só saiu de lá
quando devorou tudo
- os cigarros
os bombons
os chicletes e até mesmo o fósforo
Ele riscou um palito
e incendiou todo o restante
que ainda havia na caixa
... e depois
o que mais fez o réu
assim perguntou o Promotor:
Mas antes que a testemunha respondesse
a meritíssima juiz virou-se
e disse:
- a senhora só responde se quiser
... então dona Vontade a obedeceu
e o Promotor agradecendo
a mandou que se levantasse
Mas pedindo permissão a meritíssima
aproximou-se da sua tribuna
e a confidenciou
- Mas,
meritíssima!
Ela e o Querer
são cúmplices do réu
E a juiza o disse:
E o senhor não o é!
E novamente bateu o martelo
dando mais dez minutos de intervalo.
mas nunca fiquei preocupado
em ser o que sou agora
não temo
nem temo ao dizer tudo
o que ele pensou
disse
e fez no passado
Abram-se as portas do fórum
supremo tribunal
de um singular juiz
Que seja o seu auditório
franqueado ao público
e a imprensa se localize para documentar
organizem-se as tribunas
inclusive a da Meritíssima Juiza
Instale-se alí a cadeira do réu
minha, ou dele!
Dele,
porque é ele que precisa dizer a verdade
para que possa ser absolvido
ou condenado
Acolar seja posta uma cadeira
porque vai ser lá
a cabine das testemunhas
e sejam esvaziados os corredores
dos senhores advogados
e promotor
Agora aqui sobre essa mesa:
a Bíblia Sagrada
vai receber a juramento da vítima
que vai ser julgada
Pronto!
Senhoras e senhores, levantem-se!
Que a meritíssima vem chegando
- assentem-se
assim disse a digníssima magistrada
que descendo à mesa do peito
sentou-se na cadeira do coração
e revendo os autos - pegou o martelo
e disse:
Está aberta a seção
Em seguida
o réu foi convidado à bíblia
para jurar:
dizer a verdade
- Só a verdade
e ele jurou
ser o próprio juiz de sí mesmo
E alí estava um homem
recapiado de falhas
subdividindo-se
num imenso corpo de jurisprudência
recompondo-se como um magnífico
ou quem sabe
- um sincero trbunal sem fantasia
que entre erros e acertos
reconhece não está equilibrado
Portanto, intimou-se a comparecer
ao tribunal de justiça
do seu próprio ego
e dentro desses poucos segundos
está ele aí
aposto na sala de justiça
onde a sua côrte já está reunida
e pronta para o submeter
ao primeiro julgamento da sua vida
... e é uma hora qualquer
mas essa hora ainda não chegou
e ele já sentou-se na cadeira dos réus
e o júri está em sí mesmo
e será todo ouvido
O promotor é democrático
- chama-se: Desejo
e é transparente nas suas acusações
Um dos seus advogados
exatamente o de defesa
é feminino
e chama-se: Razão
... mas o outro
chama-se pensamento
e também o acusa
tanto quanto o promotor
O seu júri
genéticamente
é composto de homens e mulheres
mas creio serem justos em seus veriditos
não pela meritíssima juiza
também ser feminina
mas simplesmente
por se chamar consciência
Silêncio! Bem alto assim disse ela
dou por iniciadas
as atividades desse tribunal
nas pessoas dos senhores jurisconsultos
aqui presentes
e senhoras
e senhores do corpo de jurado
- Com a palavra o senhor promotor
- Obrigado meritíssima
e levantou-se o Desejo
ainda fazendo vênia
à meritíssima
disse:
Eu na qualidade de magistrado oficial
desse ministério privado
quero tornar público
todos os atos
de desabonos de conduta
desse réu aqui presente
... e ao dizer isso
olhou à frente
os lados
depois virou-se para trás
e num gesto neutro
ou de quem reprovavao o réu
nos seus erros
- falou novamente
... Senhoras e senhores
desde o primeiro mes de 1944
o réu vem se acometendo em falhas
- umas até bem duvidosas
- outras um pouco absurdas
Não sei se todos observaram
mas até mesmo no momento de jurar
sobre a bíblia
em dizer a verdade
sòmente a verdade
observa-se pela sua mão fechada
em cima do Livro Sagrado
e isso é um desrespeito
- Protesto! Meritíssima
protesto aceito
Pode falar...
Meritíssima
a mãe dessa inocente criatura
era a mulher de um lavrador humilde
e ela
o ajudava nas labutas do roçado
e quando uma vez o ajudava
numa dessas lidas
lá pelos meados de agosto
de 1943
ela acidentalmente
o machucou num garajáu
ainda em seu ventre
tornandodo-se assim
um deficiente nato...
- ... como verem os senhores
O seu braço
e a sua mão direita
- sem tato e sem dedos
Inclusive a sua perna esquerda
que em outubro de setenta e dois
inocentemente perdeu
para os açougueiros da medicina
assim disse a Razão
e terminou dizendo:
Obrigado
E a Consciência
sendo a meritíssima juíza
- aleevantou (a cara) o rosto
abriu os seus olhos e a visão
Viu à sua frente
a estátua
que por um mero acaso
a cognominaram de justiça
e quís aborrecer-se
mas majestosamente controlou-se
e disse:
Prossiga promotor
prossiga
E só deu tempo o promotor dizer
obrigado,
logo foi interrompido
pelo seu colega de magistério
- o Pensamento
que logo em seguida
disse:
Meritíssima,
antes que o caro colega promotor
acuse este cidadão
do miserável erro de gula
e como indiciado
na perturbação do sossego
de outrens
E em seguida
na cobiça
e na irreverente desobediência
desde quarenta e quatro
... necessário se faz
'que a senhora saiba que'
óbviamente foi ele
quem o induziu a tudo isso
e ... continue - continue
disse a juiza
... perdão!
Perdão meritíssima
pois não é da minha alçada
acusar esse moço
que aos meus olhos até então
tem sido um cidadão exemplar
cívicamente democrático
e só tem feito
o que as leis lhe permitem
e a própria sociedade aplaude
... Obrigado
nobre colega
obrigado
- pode reiniciar as suas acusações
... obrigado doutora
um pouco desconfiado
assim agradeceu o promotor que
recomeçou dizendo:
Entre mil novecentos
e quarenta e nove
- e mil novecentos
e cinquenta e um
o réu levantou-se
e falou mais mentiras
do quê
a própria verdade exigia
Nessas mesmas datas
os seus pais e os seus avós paternos
o levaram para o Maranhão
mas nem mudando de estado
foi possível mudar a sua conduta
Em mil novecentos e cinquenta e dois
foi quando então
se acometendo
aos primeiros erros juvenís
e de adolecência
deu também assiduidade
aos primeiros passos nos vícios iniciais
Fumou os primeiros cigarros:
Princesa e Astória da Sousa Cruz
todos eles roubados
da quitanda do seu tio e padrinho
Cena que se repetia
sempre aos dias de domingo
ocasionalmente à tarde
usando um buraco na parede de taipa
feito pelos porcos!
Nisso se ergueu a Razão
e com a mão espalmada na vertical
solicitava aos colegas
e principalmente a meritíssima juiza
- uma breve palavra.
E por um segundo
o silêncio se fez viver
e a meritíssima a ordenou que falasse
e eladisse:
Senhoras e senhores
caros colegas
e meritíssima juiza
... todos nós ouvimos o que disse
o nosso nobre colega promotor
- Nada mais normal
que um adolecente ter essas curiosidades
desde que não sejam excessivas
para nunca me excluir dos seus atos
das suas palavras
nem dos seus pensamentos
porque sem mim
ou sem eu
o equilíbrio de qualquer um morrerá.
Obrigada
Nisso a Consciência
meritíssima juiza - bateu o martelo
e deu alguns minutos de intervalo
para todos
e a sala
inclusive o auditório esvaziou-se
e em poucos segundos
o silêncio tomou conta do tribunal
e quando despertei
estava em mil novecentos
e cinquenta e quatro
No dia seguinte
pela manhã o tribunal já estava cheio
- A Vontade era uma testemunha
e óbviamente
após ter jurado dizer a verdade
já se preparava para falar
quando o Promotor o interpelou:
Dona Vontade
aonde estava a senhora
no entardecer do terceiro domingo
de agosto
de mil novecentos cinquenta e quatro
e ela respondeu:
- Eu e ele tínhamos a mesma idade
portanto
quase sempre andávamos juntos
E naquele dia
eu estava bem próximo a ele
quando de repente o Querer
por ser um outro amigo nosso
o empurrou para dentro da quitanda
e o fez roubar cigarros
e fósforos
inclusive balas e chicletes
Depois fugimos para um matagal
que existia atrás da venda
Morávamos no interior
e a rua lá era uma só
a estrada carroçal
era como se fosse uma avenida
casas de um lado e outro
e um longo caminho de areia ao meio
a paz e a tranquilidade
reinavam alí
Então ficávamos lá entre as noites
às vezes por um longo tempo
- Eu e o Querer
nem triscamos nas coisas que ele tirou
mas ele só saiu de lá
quando devorou tudo
- os cigarros
os bombons
os chicletes e até mesmo o fósforo
Ele riscou um palito
e incendiou todo o restante
que ainda havia na caixa
... e depois
o que mais fez o réu
assim perguntou o Promotor:
Mas antes que a testemunha respondesse
a meritíssima juiz virou-se
e disse:
- a senhora só responde se quiser
... então dona Vontade a obedeceu
e o Promotor agradecendo
a mandou que se levantasse
Mas pedindo permissão a meritíssima
aproximou-se da sua tribuna
e a confidenciou
- Mas,
meritíssima!
Ela e o Querer
são cúmplices do réu
E a juiza o disse:
E o senhor não o é!
E novamente bateu o martelo
dando mais dez minutos de intervalo.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O PACIENTE DO CÁRCERE
Que conforto posso ter
nessa maldita masmorra
que me adianta ver o meu nome em letras
garrafais e em fosforescência
- se os jornais dizem que estou aqui
mas quem poderá vir ao meu socorro!
Só Deus e o mundo
estão comigo
e o que eu posso querer mais!
Não,
não me peçam isso!
Simplesmente
amar a quem me condena à cela
é voltar à origem
há mais de dois mil anos
Lá na sala de fora tem um foro
e eu respeito a fera
que me leva à morte
e mesmo que eu seja forte
ainda não aprendí perdoar o mundo
que nesse entra e sai
deixa-me apenas uma promessa pôdre
que o padre carrega
num simples utensílio próprio
para o irrevogável assassinato
Um de cada vez
abre a porta e entra
e doutrina-me o hino da dor
que deverei cantar quando sair
e dizem
isso é coisa pouca
coisa muito pouca
A juventude é louca
e não vai me ouvir.
#mmsopensador
nessa maldita masmorra
que me adianta ver o meu nome em letras
garrafais e em fosforescência
- se os jornais dizem que estou aqui
mas quem poderá vir ao meu socorro!
Só Deus e o mundo
estão comigo
e o que eu posso querer mais!
Não,
não me peçam isso!
Simplesmente
amar a quem me condena à cela
é voltar à origem
há mais de dois mil anos
Lá na sala de fora tem um foro
e eu respeito a fera
que me leva à morte
e mesmo que eu seja forte
ainda não aprendí perdoar o mundo
que nesse entra e sai
deixa-me apenas uma promessa pôdre
que o padre carrega
num simples utensílio próprio
para o irrevogável assassinato
Um de cada vez
abre a porta e entra
e doutrina-me o hino da dor
que deverei cantar quando sair
e dizem
isso é coisa pouca
coisa muito pouca
A juventude é louca
e não vai me ouvir.
#mmsopensador
JULGAMENTO ESFÉRICO
O tempo é promotor e juiz
e é responsável
pelo saber ou a ignorância
feliz daquele que sabe ser inocente
andar pela amplidão
sem se perder
Todos precisam saber ouvir
e também calar
em qualquer horizonte
que lhe bocejarem sobre a vida
Vê se pode ver a distância
mas se não despistar a visão
morrerá mais cedo
... talvez
até melhor que mais tarde
ou no mínimo
será chamado à depor
como testemunha ocular
fiel a própria verdade
e possívelmente
de que talvez
nem queira testemunhar
Mas quando o tempo pede o dever
é melhor que que lhe seja entregue
sem dizer nada
ou sem ser dito nada
Porque na obra
o juiz do tempo
é a responsabilidade
... e uma só palavra
pode ser tomada como julgamento
e aquele que não souber calar
pode não ser inocente
e pelos seus próprios indícios
ser irrevogávelmente condenado
ou quem sabe
Um verdadeiro abenegado
pela sua inesperada absolvição.
#mmsopensador68
e é responsável
pelo saber ou a ignorância
feliz daquele que sabe ser inocente
andar pela amplidão
sem se perder
Todos precisam saber ouvir
e também calar
em qualquer horizonte
que lhe bocejarem sobre a vida
Vê se pode ver a distância
mas se não despistar a visão
morrerá mais cedo
... talvez
até melhor que mais tarde
ou no mínimo
será chamado à depor
como testemunha ocular
fiel a própria verdade
e possívelmente
de que talvez
nem queira testemunhar
Mas quando o tempo pede o dever
é melhor que que lhe seja entregue
sem dizer nada
ou sem ser dito nada
Porque na obra
o juiz do tempo
é a responsabilidade
... e uma só palavra
pode ser tomada como julgamento
e aquele que não souber calar
pode não ser inocente
e pelos seus próprios indícios
ser irrevogávelmente condenado
ou quem sabe
Um verdadeiro abenegado
pela sua inesperada absolvição.
#mmsopensador68
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
REBELIÃO CARCERÁRIA (procedimento de Jorge)
Lá estava o Jorge
abaixo da lua
mas sempre esperando ter um lugar ao sol
ele já se manifestava com a segurança
de um príncipe
mas a massa presidiária
ainda não era toda sua
Mesmo assim
a mandou que falasse em seu nome
e o jovem falou
- Bifurquem-se os reis mortos
tais como os reinos eram outrora
Levantem-se - hinos antigos
e os brasões dos nobres
façam dobrar os seus clarins
e despertem os seus arredores
Reavivem os seus povos
lá fora
vassalos e servos
ergam-se bem junto ao Conde
e vamos reassumir o condado
porque em breve
na verdade pretendo refazer as leis
E os hábitos renascerão
cada um terá a sua própria língua
de sábio
e o seu painel de luxo
conforme a exigência do seu futuro
Quem quiser ser um rei transeunte
que seja
mas veja o que vai pensar ou fazer
porque o tempo é curto
E jamais esqueçam quem quer que seja
que hoje vos governo e ordeno
como imperador antigo
mas amanhã
serei como qualquer magestade
Agora adepois de amanhã
nem sei se posso sentar-me no mesmo sólio
que por ventura foi meu
mas mesmo assim não esqueçam
que aí bem perto
estão os marqueses
os duques e os barões
Preparem-se para demolí-los
antes de nos reverenciarem
porque enquanto eles nos honram
as suas falsidades nos transferem ao retorno
Enquanto vos ordeno
não queiram de forma alguma descançar
espero que todos se voltem
e se acampem nos seus devidos lugares
Todas as jurisdições que se reanimem
porque quaisquer que sejam os agravos
de modo algum
queremos recebê-los
Detalhes por detalhes
que se refaçam agora
nesse instante sou o supremo de tudo
e o meu presente é reconstituir o passado
Nunca se descuidem dos gestos
vamos em cada momento
fonografando as cenas
mudando apenas o colorido
para preto e branco
Agora a visão de tudo
nós temos que artísticamente colorir
e não quero que nada falte
por menor que seja o seu esmalte
Tempo e hora
são muito importantes para o seu espaço
e que mesmo sendo inanimado ou vivo
qualquer existência é matéria
Mesmo que às vezes
nem tenha tido uma devida forma
mas se tal
ousou ser inexistente à isso
essa mesma propriedade eu exijo agora
Que o pó se apuére e volte aos seus corpos
emboras que inexistentes no além passado
Os reis e os nobres
há mais dois mil anos
não deveriam mais existir
mas por isso mesmo
todos devem se defender dos seus fantasmas
Cada um deles
é como se tenha apenas
o valor de um pardal chinês
biològicamente nenhuma falta fará
Não tema
porque o próprio sistema
vive imitando o charme da justiça
portanto só o seguro faz diferença
Quanto a minha ordem
não temam a minha voz
porque nenhum outro imperador
os importunará perante o meu trono
Energizem-se com o mesmo vigor
que outrora tiveram
e vamos ao campo sem desmerecer a terra
joguem as suas sortes para os tribunais
Não esqueçam Daví
quero que Judá cante os nossos salmos
rumo à capital da injustiça
pondo por terra
todos os males que se fizeram muros
Descampinem-se as tribunas de Jericó
e se alguns se oporem as vossas vozes
façam-lhes:
como já lhes fizeram no passado
E assim se separem todos os reinos
para que melhor se saiba
de suas histórias
verdades que nunca foram esclarecidas
... ou justiças
atualmente seladas
no silêncio da terra
aonde jamais os sem terra vão usufruí-las
Manoel Messias Santos o pensador
abaixo da lua
mas sempre esperando ter um lugar ao sol
ele já se manifestava com a segurança
de um príncipe
mas a massa presidiária
ainda não era toda sua
Mesmo assim
a mandou que falasse em seu nome
e o jovem falou
- Bifurquem-se os reis mortos
tais como os reinos eram outrora
Levantem-se - hinos antigos
e os brasões dos nobres
façam dobrar os seus clarins
e despertem os seus arredores
Reavivem os seus povos
lá fora
vassalos e servos
ergam-se bem junto ao Conde
e vamos reassumir o condado
porque em breve
na verdade pretendo refazer as leis
E os hábitos renascerão
cada um terá a sua própria língua
de sábio
e o seu painel de luxo
conforme a exigência do seu futuro
Quem quiser ser um rei transeunte
que seja
mas veja o que vai pensar ou fazer
porque o tempo é curto
E jamais esqueçam quem quer que seja
que hoje vos governo e ordeno
como imperador antigo
mas amanhã
serei como qualquer magestade
Agora adepois de amanhã
nem sei se posso sentar-me no mesmo sólio
que por ventura foi meu
mas mesmo assim não esqueçam
que aí bem perto
estão os marqueses
os duques e os barões
Preparem-se para demolí-los
antes de nos reverenciarem
porque enquanto eles nos honram
as suas falsidades nos transferem ao retorno
Enquanto vos ordeno
não queiram de forma alguma descançar
espero que todos se voltem
e se acampem nos seus devidos lugares
Todas as jurisdições que se reanimem
porque quaisquer que sejam os agravos
de modo algum
queremos recebê-los
Detalhes por detalhes
que se refaçam agora
nesse instante sou o supremo de tudo
e o meu presente é reconstituir o passado
Nunca se descuidem dos gestos
vamos em cada momento
fonografando as cenas
mudando apenas o colorido
para preto e branco
Agora a visão de tudo
nós temos que artísticamente colorir
e não quero que nada falte
por menor que seja o seu esmalte
Tempo e hora
são muito importantes para o seu espaço
e que mesmo sendo inanimado ou vivo
qualquer existência é matéria
Mesmo que às vezes
nem tenha tido uma devida forma
mas se tal
ousou ser inexistente à isso
essa mesma propriedade eu exijo agora
Que o pó se apuére e volte aos seus corpos
emboras que inexistentes no além passado
Os reis e os nobres
há mais dois mil anos
não deveriam mais existir
mas por isso mesmo
todos devem se defender dos seus fantasmas
Cada um deles
é como se tenha apenas
o valor de um pardal chinês
biològicamente nenhuma falta fará
Não tema
porque o próprio sistema
vive imitando o charme da justiça
portanto só o seguro faz diferença
Quanto a minha ordem
não temam a minha voz
porque nenhum outro imperador
os importunará perante o meu trono
Energizem-se com o mesmo vigor
que outrora tiveram
e vamos ao campo sem desmerecer a terra
joguem as suas sortes para os tribunais
Não esqueçam Daví
quero que Judá cante os nossos salmos
rumo à capital da injustiça
pondo por terra
todos os males que se fizeram muros
Descampinem-se as tribunas de Jericó
e se alguns se oporem as vossas vozes
façam-lhes:
como já lhes fizeram no passado
E assim se separem todos os reinos
para que melhor se saiba
de suas histórias
verdades que nunca foram esclarecidas
... ou justiças
atualmente seladas
no silêncio da terra
aonde jamais os sem terra vão usufruí-las
Manoel Messias Santos o pensador
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
ADVERTÊNCIA FATAL (o aviso da morte)
Alô! Atenção, plan(o)alto!
Sou o Jorge do planeta terra
Cárcere
que nem o santo da lua o reconhece
Não gosto de advertir os vivos
porque os mortos
já lhes deviam servir de advertências
Infelizmente
as suas consciências já morreram
Portanto, ameaçar
é um meio de fugir do medo
aonde alguma coisa o acarreta o sobroço
(ou, sobrosso!)
óbviamente se manifesta o covarde
Povo meu
somos em resumo a sociedade esquecida
porisso esqueçam a fragilidade
e a insegurança
porque são esses os componentes do medo
E nós, companheiros!
Somos considerados
como um produto do lixo
Portanto
não devemos possuir esse luxo
Os selvagens que nos ameaçam
dora em diante
também serão ameaçados
e só se diferem
nas reações da expressão
A formiga quitandira (maranhense)
não corresponde a fúria
de um caçador gonçalvino
nem o intimida dominar as matas
A abelha pode até ser italiana
e transmitir a febre pelo seu ferrão
mas nunca igualha-se ao veneno
que se evapora da maldita máfia
O escorpião grego
não é um produto da mitologia
mas também
jamais penalisa a sua vítima
tanto quanto o seu próprio inferno
A lacraia romana
podia até ser um brinquedo de Nero
mas nunca foi páreo
para o desconsencioso Herodes
Assim como a naja indiana
menosprezava o instinto
do assassino de Gandh
E a cascavel nordestina
era como o faro do próprio Lampião
Portanto, as serpentes
assessoradas pelo mínimo porte
são sempre as maiores
na credibilidade da morte
Só que nenhuma dessas feras
ameaçam nossos deuses
sem que primeiro sejam ameaçados
ou inscritos à fatalidade dos tempos
... como nós mesmos
ou alguns outros
que se candidatam à rebeldia
Só os elefantes
temem a inversão do seu próprio volume
com a isenção da mosca
do carrapato e do carapanã
Mas os nossos inimigos
são os amigos
que não temem as suas próprias larvas
e assim fica bem mais fácil
de se destruí-los
Vamos antecipar a chegada
para um pouco antes do levante promíscuo
porque assim os substitutos
ainda não decoraram a senha
Lembrem-se que o zangão
não pode se regosijar
em ver a sua juventude
noutros corpos de sua mesma época
Pois o seu império
tem que obedecer a fêmea
e por isso
pós a copulação real
a rainha tem que almoçar o rei
Os seus sussessores:
príncipes e princesas
jamais poderão conhecê-lo
e nisso todos temem ser invadidos
Até mesmo os deuses
não são tão heróis como se pensa
emboras o calor
ainda não seja provado
como já se fala da lua
Alertem-se para um poissível confronto
porque entre os campos de guerra
existem muitas substâncias
que nos revelam forças
E nesta revelação
tudo na verdade é uma sabedoria divina
e por maior que seja o poder de um rei
os mais ínfimos não hesitam invadí-lo
Ter a privacidade do poder
é o desejo primordial de qualquer um
principalmente dos vivos
sem esquecer os mortos
Aqueles que por desventura caírem
não esqueçam
que na solidão eterna
jamais se permanece a sós
Na teoria não se desconhece a lei
mas na lógica
não se conhece o espaço
que cada corpo mereceria tê-lo
Todos devem saber
que há sempre um tempo para cada forma
que lhe convir fiel
na metamorfose
Um grilo que canta à noite
atrás de um quadro
não para roubar ou fazer um drama
mas também para disputar
um pequeno espaço na parede
E assim como o grilo
também transformaremos a sociedade
numa parede fria
e sobre ela morreremos
ou mataremos
Não adianta ninguém nos trazer comida
não estamos à mendigar o pão
o que se pede é a dignidade pros fortes
perdoar os covardes e anistiar os honestos
Ninguém comete um crime
sem na verdade ter um motivo
exceto os lobos
que dizem cuidar dos rebanhos
Sabe-se na verdade
que meio mundo monitora a fome
mas ninguém nos obriguem a desertar
porque em vez de sair
buscaremos mais um oposto
E aqui nem se trata de antropologia
ou canibalismo
mas sim de uma cura
pra cegueira da idolatria
Não se pode mais desviar do mais forte
sem que o deixemos
sobre o patamar do mais baixo
para que possa se reconhecer como fraco
Tudo na verdade é mentira
quando não se quer ver
ou simplesmente ouvir
e a mente que procede assim é insana
Entre todos os animais fica o homem
um dos mais privilegiado
infelizmente
de todos
o mais covarde
Teme ser o vilão
sendo na verdade o próprio
escondendo-se dentro de sí mesmo
... tem medo de morrer
e mata.
#mmsopensador
Sou o Jorge do planeta terra
Cárcere
que nem o santo da lua o reconhece
Não gosto de advertir os vivos
porque os mortos
já lhes deviam servir de advertências
Infelizmente
as suas consciências já morreram
Portanto, ameaçar
é um meio de fugir do medo
aonde alguma coisa o acarreta o sobroço
(ou, sobrosso!)
óbviamente se manifesta o covarde
Povo meu
somos em resumo a sociedade esquecida
porisso esqueçam a fragilidade
e a insegurança
porque são esses os componentes do medo
E nós, companheiros!
Somos considerados
como um produto do lixo
Portanto
não devemos possuir esse luxo
Os selvagens que nos ameaçam
dora em diante
também serão ameaçados
e só se diferem
nas reações da expressão
A formiga quitandira (maranhense)
não corresponde a fúria
de um caçador gonçalvino
nem o intimida dominar as matas
A abelha pode até ser italiana
e transmitir a febre pelo seu ferrão
mas nunca igualha-se ao veneno
que se evapora da maldita máfia
O escorpião grego
não é um produto da mitologia
mas também
jamais penalisa a sua vítima
tanto quanto o seu próprio inferno
A lacraia romana
podia até ser um brinquedo de Nero
mas nunca foi páreo
para o desconsencioso Herodes
Assim como a naja indiana
menosprezava o instinto
do assassino de Gandh
E a cascavel nordestina
era como o faro do próprio Lampião
Portanto, as serpentes
assessoradas pelo mínimo porte
são sempre as maiores
na credibilidade da morte
Só que nenhuma dessas feras
ameaçam nossos deuses
sem que primeiro sejam ameaçados
ou inscritos à fatalidade dos tempos
... como nós mesmos
ou alguns outros
que se candidatam à rebeldia
Só os elefantes
temem a inversão do seu próprio volume
com a isenção da mosca
do carrapato e do carapanã
Mas os nossos inimigos
são os amigos
que não temem as suas próprias larvas
e assim fica bem mais fácil
de se destruí-los
Vamos antecipar a chegada
para um pouco antes do levante promíscuo
porque assim os substitutos
ainda não decoraram a senha
Lembrem-se que o zangão
não pode se regosijar
em ver a sua juventude
noutros corpos de sua mesma época
Pois o seu império
tem que obedecer a fêmea
e por isso
pós a copulação real
a rainha tem que almoçar o rei
Os seus sussessores:
príncipes e princesas
jamais poderão conhecê-lo
e nisso todos temem ser invadidos
Até mesmo os deuses
não são tão heróis como se pensa
emboras o calor
ainda não seja provado
como já se fala da lua
Alertem-se para um poissível confronto
porque entre os campos de guerra
existem muitas substâncias
que nos revelam forças
E nesta revelação
tudo na verdade é uma sabedoria divina
e por maior que seja o poder de um rei
os mais ínfimos não hesitam invadí-lo
Ter a privacidade do poder
é o desejo primordial de qualquer um
principalmente dos vivos
sem esquecer os mortos
Aqueles que por desventura caírem
não esqueçam
que na solidão eterna
jamais se permanece a sós
Na teoria não se desconhece a lei
mas na lógica
não se conhece o espaço
que cada corpo mereceria tê-lo
Todos devem saber
que há sempre um tempo para cada forma
que lhe convir fiel
na metamorfose
Um grilo que canta à noite
atrás de um quadro
não para roubar ou fazer um drama
mas também para disputar
um pequeno espaço na parede
E assim como o grilo
também transformaremos a sociedade
numa parede fria
e sobre ela morreremos
ou mataremos
Não adianta ninguém nos trazer comida
não estamos à mendigar o pão
o que se pede é a dignidade pros fortes
perdoar os covardes e anistiar os honestos
Ninguém comete um crime
sem na verdade ter um motivo
exceto os lobos
que dizem cuidar dos rebanhos
Sabe-se na verdade
que meio mundo monitora a fome
mas ninguém nos obriguem a desertar
porque em vez de sair
buscaremos mais um oposto
E aqui nem se trata de antropologia
ou canibalismo
mas sim de uma cura
pra cegueira da idolatria
Não se pode mais desviar do mais forte
sem que o deixemos
sobre o patamar do mais baixo
para que possa se reconhecer como fraco
Tudo na verdade é mentira
quando não se quer ver
ou simplesmente ouvir
e a mente que procede assim é insana
Entre todos os animais fica o homem
um dos mais privilegiado
infelizmente
de todos
o mais covarde
Teme ser o vilão
sendo na verdade o próprio
escondendo-se dentro de sí mesmo
... tem medo de morrer
e mata.
#mmsopensador
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