terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O PRISIONEIRO DA HUMILDADE

Se o prisioneiro da humildade
fosse o contrário
Eu diria
Pobre homem

Mas na verdade ele é sábio
e o sábio não sabe se é sábio

Aliás
o sábio nem sabe se sabe
ele simplesmente diz

Agora eu nem sei se sei
quem realmente sou
sei apenas
que jamais poderei ser um sábio

Pelo menos isso
acho que reconheço
não posso passar de um poeta desses
que também não passa de um falador

Talvez eu até mereça
por tudo isso! Um castigo
Pois, pelo que tanto escrevo
quase nada digo

Por isso
devo ser um tôlo!
Sem saber o que realmente é.

GENÉTICA IMUTÁVEL

Infelizmente, ó semelhança minha
não te posso dar ouvidos, como gostaria
- os teus atos, são como a erva daninha:
Envenenam e matam, com alegria!

Portanto, não te posso resar, uma ladaínha
nem te entoar um canto: de calma ou de euforia!
Porque nada disso, com certeza vinha
mudar, a tua vil genética, ou teoria...

Quem nasce pra ser: abelha, rainha
jamais ousaria - ser, um zangão!
Para sòzinho morar, numa casinha.

Tudo isso, se refere a tí, com exatidão!
Pois, não vou dizer que sou, como a ovelhinha
mas pelo menos, te serei franco, como o cão.

VALSA INESQUECÍVEL

Como dois sabonetes
brilhavam seus olhos
na madrugada de outubro
todos em sí
se alegravam alí
menos o sorriso aniversariante

Que
nem com a dança
da valsa inesquecível
foi possível
reter a sua lembrança num olhar distante

Ó pensamento esnobe
por que procuras o momento incerto
para relembrar alguém
de alguém
que um dia tão perto
seria o ideal para estar alí

E quem sabe se não estava em redor
tentando cicatrizar a ferida
que um dia a procurou para o peito
sem saber que a sua dor
explodiria tanto quanto
um pranto
a nitroglicerina

E a dançarina - ainda inibida
descontraindo-se forjava um sorriso
trínico de criança triste
que mesmo estando em seu baile
e de branco
parecia bailando sòzinha
no meio da multidão da festa

Era a solidão - machucando o peito
e a alma da sua própria inocência
cuja alegria
era pesarosamente dolosa
como se tudo presente
fosse um vazio paterno
que jamais preenchiria
a dança daquela valsa. 




sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

REFLEXÃO ANTI-FINAL