segunda-feira, 20 de setembro de 2021

 O SILÊNCIO EDIFICA A VIDA DO HOMEM

 

Então disse Moisés ao Senhor: Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloqüente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua.
Êxodo 4:10

E disse-lhes: Ide por todo omundo, pregai o evangelho a toda criatura.
Marcos 16; 15

     Cale-se quando suas palavras forem usadas para prejudicar.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para ofender.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para difamar.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para criticar.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para fazer alguém acreditar que seu sonho é impossível.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para diminuir alguém só para você se sentir bem.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para desmotivar alguém.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para entristecer o coração de uma criança.

Cale-se quando suas palavras forem usadas para destruir o plano de quem se esforçou tanto.

Cale-se quando não sabe o que dizer.

Precisamos aprender a usar o silêncio com sabedoria.

A palavra de ânimo levanta o caído.

A palavra de fé toca o coração daquele que foi humilhado, pisado e ferido.

A palavra edificante alimenta o espírito abatido e cansado.

A palavra sábia leva entendimento e produz bons resultados.

Quando o homem for capaz de controlar o que diz viverá em paz.

A paz e a harmonia é uma escolha.

Assim como a guerra, a briga e o ódio.

Você escolhe o que quer cultivar no coração do outro e no seu também.

Você escolhe o que diz, o que pensa e o que sente.

Suas palavras podem levar você ao paraíso das oportunidades, bênçãos e milagres.

Hoje escolha o que conversar com o seu próximo.

Pense antes de opinar sobre a vida alheia.

Pense antes de tecer comentários maldosos sobre uma vida que você desconhece.

Pense antes de criar intriga e levar fuxico sobre vidas que não lhe diz respeito algum.

 

Porque Deus emudece? Porque Deus fica em silêncio?  Porque Deus se esconde? Porque quando eu mais preciso de ouvir sua  voz Ele parece estar longe? Cujas perguntas, com interrogações assim tão fortes, foram feitas por homens escolhidos diretamente por Deus; como por exemplo, antes de Enoque, veio a nascer o Sete, exatamente o terceiro filho de Adão e Eva; então sua mãe, Eva acreditou que ele, Sete fora designado por Deus. Logo foi pelo próprio sentimento de Eva, que pela primeira vez o nome Titular do Criador foi proclamado.

Não são perguntas fáceis de serem respondidas, não existe respostas prontas para esta questão, e creio que  pelo fato de ser um aspecto as vezes subjetivo da vida, vez por outra entra também no campo da relatividade, e o que é para você não é para mim, o silêncio de Deus para minha vida poderá ser de um jeito e para você de outro, porém estou convicto que Seu Silêncio já alcançou seu coração em algum momento da sua vida e como é difícil quando Deus se cala.

Textos como estes aqui,  exprimem literalmente o grito do Salmista, Salmos 83;1 - “Ó Deus, não estejas em silêncio; não cerres os ouvidos nem fiques impassível, ó Deus”. – Salmos 10.1 – Salmos 13.1 – Salmos 27.9 –  Salmos 55.1 – Salmos 89.46 – Sinal que em algum momento Deus ficou em Silêncio. Grandes Homens de Deus experimentaram o silêncio de Deus.

Jacó:  Quando seus filhos mentiram sobre a morte de  José, porque Deus se calou em meio a mentira?

José: Na etapa de preparação, quando foi colocado na cisterna por seus irmãos, depois vendido a caravana de Ismaelitas, depois vendido a Potifar no Egito, caluniado pela esposa de Potifar, foi para o cárcere e lá permaneceu 13 anos. Porque Deus se calou nestes anos?

Moisés:  Nasceu no Egito foi  levado a filha de Faraó para sobreviver, foi criado na cultura egípcia, matou um homem e saiu do Palácio, precisou ficar 40 anos no deserto para ocorrer algo ou  entender alguma coisa. Mas porque Deus se calou durante esses  anos de Moisés?  É necessário entendermos algumas situações do nosso Deus, os princípios de Deus são totalmente diferentes dos nossos.

Porque Deus fica em silêncio? Porque Deus se cala?

O Silêncio faz parte do Projeto de Deus, também conhecido  como Preparo: Deus trabalha diferente do homem, o homem  trabalha falando e Deus trabalha em silêncio. Seu projeto  se faz no silêncio e não nos gritos. Quando Deus emudece com Jacó  – penso  eu, porque emudecer com um homem como Jacó?  Entre aspas,  Jacó  havia perdido um filho, Deus não pune seus irmãos, irmãos de José, Deus não fala  para Jacó, não usa um profeta, Deus poderia dar  um sonho, mostrar de alguma forma, poderia  chegar e dizer é mentira de seus irmãos, simplesmente se cala e seu silêncio  duraria  13 longos  anos. Que projeto? Que preparo Jacó necessitava? Um  homem maduro, já havia passado por dezenas de experiências, tinha visto a mão de Deus sobre seu rebanho, tinha a provisão de Deus, lutou com o anjo  de Deus, uma Teofania: o próprio Deus,  o que este homem precisava? Este é  o nosso problema sempre pensamos que não precisamos de ser moldados  lapidados por Deus, e Deus se cala dizendo, você não está pronto, o meu modo de preparar é assim! O meu jeito de deixar você alinhado com meu projeto é em silêncio. Se tem algo que incomoda o ser humano é o silêncio. E Deus é  especialista nisto, pois Ele criou  o ser humano e sempre trabalhará no incomodo do ser humano.

 

O Silêncio determina nossa dependência; a Deus ou ao mundo: Você é dependente de quem?  É no  silêncio que sua dependência exterioriza. É no silêncio de Deus que damos nossos gritos. Gritos da Alma. Algumas pessoas pelo fato de Deus calar-se por um tempo, se  desesperam... Lembram do fato de Exôdo 32, bezerro de ouro? Deus falava com Moisés mas o povo queria falar com Deus, mas por alguns  momentos, Deus estará ocupado sim, e não falará conosco. Deus é obrigado a falar conosco a todo  instante? Não! Precisamos respeitá-Lo como Deus, e como pessoa. As vezes realizamos isso, quando Deus se cala resolvemos pelo nosso desespero colocarmos bezerros de ouro no lugar e não dependemos do Eterno, nosso desejo é contemplá-Lo mesmo entendendo que o bezerro não fará nada por nós, mesmo compreendendo que isso não vai mudar a situação, sabemos que bezerros não realizam milagres, mas levantamos estes altares devido ao Silêncio de Deus.  José amargou etapas que poucos resistiriam, lançado na cisterna por seus irmãos, vendido a caravana de  Ismaelitas, depois  vendido a Potifar no Egito, caluniado pela esposa  de Potifar, foi parar no cárcere e lá permaneceu  2  anos. José dependia de quem? Deus! É no silêncio que Deus diz…dependa de mim.

 

O Silêncio de Deus Revela nossa humanidade e não nossa deidade: O  homem tem conseguido quase tudo, muitas inovações neste século, melhorou nossa vida gradativamente,  a ciência tem multiplicado, avanços em todas as áreas, sua influência é tão grande que até o clima mudou. Mais muitas vezes é no silêncio do Altíssimo que a criatura diz, existe um criador, e eu preciso de Ti, em alguns momentos este homem tão independente de Deus sente-se frágil, chora, precisa de um milagre e por mais influente que ele seja, ele chegará num denominador, preciso de Deus, nesse momento Deus revela algo óbvio porém necessário, que Ele é Deus e você humano,  isso é para aqueles que ainda não sabem, porque alguns acreditam  ser semi-deus, alguns momentos são destinados a esfera humana e algumas  dimensões são puramente nossa, mas outras esferas haverá a influência do Altíssimo. Se tem alguém que poderia bater no peito e acreditar que  era um semi-deus, era Moisés, Deus vai ao encontro de Moisés, revela sua vontade a Moises, trás Moisés de Midian, coloca frente a frente com um dos homens mais poderosos da terra (Faraó) e realiza um sinal, milagre atrás do outro, se não bastasse, o povo é liberto e Deus  conduz o próprio povo no deserto falando com Moisés os detalhes do que precisava ser feito em tudo. Porém antes do projeto de Deus na vida de Moisés, na época do preparo Deus calou-se, ficou em silêncio, 40 anos passaram, até Deus dizer é tempo suficiente. Porque todo este tempo? Quarenta  sempre tem a representatividade de luta, tentação, provação, 40 dias foram os dias que choveu sobre a terra e Noé precisou da boa mão do Senhor para obter livramento, 40 foram os  dias da tentação do Mestre, sempre que a   bíblia refere-se a 40 será  um número completo de lutas e provas. Porque Moisés permanece 40 anos então? Era necessário? Sim, o deserto esvazia o eu.

4. O Silêncio existe para Deus entender qual é a sua direção: As vezes não temos senso de direção, e isso é compreendido  perfeitamente pelo Senhor. Deus sabe e a todo momento pedimos sua  direção, isso é bom e necessário, e Deus sempre fica em Silêncio “parece”, porém como dissemos, Deus  trabalha diferente, é no silêncio que Ele entende qual é a sua direção. José poderia ter indagado Deus. Senhor é necessário vir ao Egito? Senhor é preciso eu sofrer tanto? Senhor é preciso eu ser caluniado? Senhor não tem como livrar da mulher de Potifar? Ou pelo menos livrar da cisterna ou quem sabe da cadeia? Deus ficou em silêncio, suas questões eram legítimas mas Deus permanece em Silêncio ,,o Silêncio de Deus  indica que estou na mão certa. Se José por algum momento saísse do caminho do silêncio de Deus, e realizasse sua vontade, estaria fora do propósito! O lugar da vitória de José era no Egito! O Silêncio de Deus indicará o lugar da sua vitória, sei que é difícil mas calma! Vai chegar um momento que Deus preparará tudo e você será honrado. Mas Deus quer saber qual é a  sua direção em meio ao silêncio.

5. O Silêncio de Deus conserva a Vida: Você sabia que o Silêncio de Deus conserva nossa vida? O que é mais importante? Receber a  vitória ou conservar a vida para alcançar a vitória? Existem pessoas que para alcançar a vitória morrem. A vitória não pode ser um fim  em si mesmo, e sim um meio. A vitória foi feita, arquitetada  para você, a vida foi realizada  para que a vitória te alcance em algum  trajeto da caminhada e não você morra antes do fim da caminhada. A Vitória foi construída, fabricada por Deus para que em algum momento da sua jornada você encontre ela ou seja alcançado por ela. Não Cremos nisso, pregamos mas não vivemos, Deus  queria saber destes homens se eles queriam somente a benção, a  Vitória ou a vida!!! O que você deseja? A benção ou a vida? A benção está na vida, e a vida é uma benção, tanto Jacó, José e Moisés, precisavam viver para aprender que no silêncio  Deus reservava surpresas, o silêncio de Deus conservou a vida de José, se ele soubesse quem seria talvez não chegasse ou tentasse chegar sem Deus, e sem Deus nada dá certo, Deus quando chama Abrão, Ele diz que: “…levaria Abrão para uma terra, mas não disse o nome da terra” isso é dependência e conservação da vida, José no  ínicio talvez não seria forjado como foi, Deus somente lança luzes, ventila no  ínicio da caminhada de José o que ocorreria através de sonhos e silencia, esconde-se! Se Deus contar o plano todo você morrerá no meio do caminho porque é do ser humano querer esquivar se dos problemas e muitas vezes estão nos problemas a proteção que precisamos. Não reclame dos problemas apenas agradeça, o silêncio de Deus e diga ao Senhor, eu sei que é difícil mas é o caminho que o Senhor quer que eu passe, a cruz olhando pelo lado racional  é loucura, seria melhor um outro caminho, mas era necessário que Jesus passasse pela cruz. Foi na morte de Jesus que encontramos a conservação da vida. Se José escolhesse outro caminho não chegaria  a chefe de Governo, se  Moisés escolhesse fugir do deserto de Midian quando apascentava ovelhas que não eram sua, não seria o maior estadista de Israel, se Jacó tivesse escolhido outro caminho quem sabe o caminho de investigar a morte de seu filho não enxergaria a recompensa de saber que Deus conservou com vida José para um plano maior, o silêncio conservou ele com vida.

 

Conclusão

Chegará um momento que Deus vai  ao encontro, para quebrar o Silêncio. Mas entenda algo, tanto Jacó, José e Moisés receberam o silêncio por fazer parte do plano mas também porque Deus precisava trabalhar na vida deles.

Jacó mentiu  ao seu pai direito de primogenitura, mentiu que era Esaú e roubou o direito de primogenitura, mais cedo ou mais tarde a mesma mentira, a semente plantada alcançaria Jacó e Deus ficaria em silêncio.

José contava tudo de seus irmãos ao seu pai, a bíblia diz que ele, José: “…trazia uma má fama deles”, José era dedo duro, precisou passar pelo processo do silêncio de Deus, cisterna, vendido, caluniado, era mentira da mulher de potifar, mas precisou passar, as fases de Deus cura o caráter, foi para o cárcere, e Deus em silêncio.

Moisés tinha duas situações, formação Egípcia e um homicídio, 40 + 40, era a pena do Silêncio de Deus. Deus precisava retirar isso da vida de Moisés. Mas Deus não quebra princípios, sua benção virá mas Deus não quebra princípios. Porque Deus fica em Silêncio? Porque naquilo que você errou, Deus quer fazer novo em você! Tem um preço pelo que você plantou. Qual área que você errou no passado? Qual área que Deus está em silêncio na sua vida? Será que isso pode conferir?

“Naquele dia se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte, a que Deus pôs a salvação por muros e antemuros. Abri as portas, para que entre nelas a nação justa, que observa a verdade. Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente; porque o SENHOR DEUS é uma rocha eterna”.  Isaías 26; 1 a 4.

 

Irmão messias

sábado, 18 de setembro de 2021

 

Graça e Paz amado irmão Sivaldo!


Eminente Varão, retornando ao consolo das nossas almas,  e conforto da porção do espírito que Deus nos deu;  por quantas e tantas são essas maravilhas que, até sinto-me contentíssimo e com razão pra dizer “que estou preso ao ministério de Cristo”, e por que não como o nosso irmão Paulo dizia:  Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; Efesios 3;1

Amado irmão Sivaldo!  Sem excessividade religiosa, nem demagogia de vontade carnal, confesso;  chego algumas vezes virar-me pra parede, e relembrar o que disse e fez o rei Ezequias – em Isaías 38; 1 a 3. Prestes lhe estava a morte, quando todo o seu reino,  precisava se reorganizar. 

- Assim, ou quase assim! Sinto-me em lê e reler, centenas e centenas de publicações, sobre o próprio cristianismo apostólico, que chêga a me doer nas entranhas do meu Ser.  Agradeço ao Eterno, O nosso  Deus Vivo,  encontrar no emaranhado desse mundo, procurando reciclar desse lixo religioso, a Verdadeira Palavra de Deus, que; Desde o Jardim do Éden, em Gênesis, cap. 3, vem sendo pervertida pelas diversas legiões do mal. E agora, hoje, nada – ou quase nada é tão diferente, do que fora ontem... Ainda bem que, como sempre Deus está conosco, e nos mostra claramente que conhece a profundidade dos nossos corações; usando apenas o afetuoso toque da Sua Palavra em cada um deles, que Ele quiser. Portanto irmão Sivaldo,  entre tantas e diversas afrontas bíblicas, que por sorte, fado ou destino; só em ouvir um pouco sobre o DÍZIMO, tributo que os fiéis pagavam à Igreja como obrigação religiosa: Encontrei a Congregação do CORPO DE CRISTO, dispersa no Acaracuzinho – Maracanaú-Ce., onde por graça e misericórdia do Senhor, os que antes como igreja, se reuniam, por obra e caridade de Deus, alegres e contentes, voltaram a se reunirem na minha humilde casa. O que em tanto me rejubilo, simplesmente por ter sido com muita honra e por alguns anos, -  um pequeno anfitrião e servo dos meus irmãos em Jesus Cristos.  Pessoas como Você, irmão Sivaldo! Com descência e ordem, estão conosco que às vezes nem sabemos, e isto é assim no Ceará, como também em Vitória do ES., quiçar no Brasil e no mundo; mesmo por não termos PLACAS, nem CNPJs. – Há na Minha Casa, huma Área Ceslestial, nenhum mal deste mundo, nela, Não vai entrar, porque tem sangue na minha porta,

Graças a Deus que somos invisíveis para mundo, e por ele não somo contados;  irmão Ernani, irmão Agerson, irmão Carlos, irmão César, irmão Zé Nilso, irmão José, irmão Araújo, (irmão Claudio – já no seio de Abraão); irmão Eurico, e muitos outros, sem esquecer as amadas irmãs em Cristo Jesus,  prontos e munidos para enfrentarmos pacíficamente todos e quaisquer confrontos, que nos venham tentar à contradição do que seja da Vontade do Criador, em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Paz e Graça Varão!

E que o Eterno SENHOR, na Sua Muita Caridade, nos permita que o Seu Santo Espírito de Misericórdia nos dê sabedoria, discernimento e bom senso. Amém? Assim Seja!

 

Irmão messias

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

 É BOM QUE SE SAIBA O QUE É TEOLOGIA!

TEOLOGIA?!

Teo, do grego θεóς, theos, significa Deus, divindade, com o sentido de verdade, essência da verdade, fé ou caminho da verdade de alguma divindade. Logos λóγος é palavra, estudo; disso deriva Teologia como estudo sistemático da palavra, análise, discurso sobre algo.

Teologia é o estudo sistemático sobre a divindade, sua essência, atributos e existência. Estuda sistemas de crenças religiosas, podendo ser diferentes teologias; judaica, islâmica, cristã, etc., e pode ainda ser o conjunto ou consenso de doutrinas de determinadas religiões, tratados fundamentais sobre escritos cristãos, islâmicos ou judaicos. É o estudo da existência de Deus, conhecimento da divindade e questões a ela relacionadas, bem como suas relações com a humanidade.

Teologia é o estudo crítico da natureza dos deuses, seres divinos, ou de Deus, seus atributos e sua relação com os homens e diversas religiões. Em sentido estrito, limita-se ao Cristianismo, mas em sentido amplo, aplica-se a qualquer religião.

DIDAQUÊ – O LIVRO

Didaquê ou Didaqué, Instrução dos Doze Apóstolos ou Doutrina dos Doze Apóstolos é um escrito do século I que trata do catecismo cristão. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico.

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A Ressurreição e a Ascensão

    Jesus, O “Cristo” Ressuscitou

 

O Sábado dos judeus havia passado, e a noite que precederia o clarear do mais memorável domingo da história já ia bem adiantada, enquanto a guarda romana mantinha vigilância sobre o sepulcro selado em que jazia o corpo do Senhor Jesus. Era ainda escuro, quando a Terra começou a tremer; um anjo do Senhor desceu em glória, empurrou para trás a pesada pedra do portal da tumba e assentou-se sobre ela. Seu semblante brilhava como o relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os soldados, paralisados pelo terror, caíram por terra como mortos. Quando se recuperaram parcialmente do susto, fugiram aterrorizados. Nem mesmo o rigor da disciplina romana, que decretava morte sumária para o soldado que desertasse do posto, foi capaz de detê-los. Além do mais, nada restava para ser guardado; o selo da autoridade havia sido rompido, e o sepulcro estava aberto e vazio.a

Ao primeiro sinal do romper do dia, a dedicada Maria Madalena e outras mulheres fiéis partiram em direção ao sepulcro, levando especiarias e ungüentos que haviam preparado para nova unção do corpo de Jesus. Algumas delas haviam testemunhado o sepultamento, e haviam percebido a necessária pressa com que o corpo fora envolto com especiarias e depositado por José e Nicodemos, no último momento antes do início do Sábado; e agora aquelas mulheres devotas vinham bem cedo prestar um serviço amoroso sob a forma de uma unção mais completa e do embalsamamento externo do corpo. No caminho, enquanto conversavam tristemente, parece que pela primeira vez pensaram na dificuldade de entrar na tumba. “Quem nos removerá a pedra da porta do sepulcro?” perguntavam-se umas às outras. Evidentemente, nada sabiam do selo e da guarda de soldados. No sepulcro, viram o anjo, e amedrontaram-se, mas ele lhes disse: “Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dentre os mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito.”b

As mulheres, embora tivessem sido abençoadas com uma visitação angélica e uma promessa, deixaram o lugar maravilhadas e temerosas. Consta que Maria Madalena foi a primeira a levar informação aos discípulos a respeito da tumba vazia. Ela parece não ter compreendido o significado jubiloso da proclamação do anjo: “Ele ressuscitou, como havia dito”; em sua agonia de amor e pesar, lembrava-se apenas das palavras “Ele não está aqui”, cuja veracidade lhe havia sido tão fortemente confirmada pela rápida visão da tumba aberta e desocupada. “Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.”

Pedro, e “aquele outro discípulo” que indubitavelmente era João, partiram apressadamente, correndo juntos para o sepulcro. João ultrapassou o companheiro, e ao chegar ao túmulo, curvou-se para olhar para dentro, e vislumbrou a mortalha caída ao chão; mas o audaz e impetuoso Pedro entrou no sepulcro seguido pelo apóstolo mais jovem. Os dois observaram as vestes mortuárias, e à parte, o lenço que havia sido colocado sobre a cabeça do cadáver. João francamente afirma que, tendo visto aquelas coisas, creu, e explica em defesa própria e dos companheiros de apostolado: “Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos.”c

A pesarosa Madalena havia seguido os dois apóstolos de volta ao jardim do sepultamento. Nenhum pensamento, de ter sido o Senhor restaurado à vida, parece ter encontrado guarida em seu coração ferido de dor: ela sabia apenas que o corpo de seu amado Mestre havia desaparecido. Enquanto Pedro e João estavam dentro do sepulcro, ela havia permanecido fora, chorando. Depois que os homens se retiraram, ela curvou-se e olhou para dentro da caverna aberta na rocha, e lá viu dois anjos vestidos de branco; “assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.” Com terna entonação, eles lhe perguntaram: “Mulher, por que choras?” Em resposta, ela só pôde expressar novamente sua esmagadora tristeza: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.” A ausência do corpo, que ela pensava ter sido tudo o que fora deixado na terra, daquele a quem tão profundamente amara, causava-lhe uma aflição pessoal. Há todo um mundo de ternura e afeição em suas palavras, “Levaram o meu Senhor.”

Voltando-se da cripta funerária que, embora iluminada no momento pela presença angélica, para ela parecia vazia e desolada, percebeu outro Personagem parado junto a si. Ela ouviu sua pergunta compassiva: “Mulher, por que choras? Quem buscas?” Mal erguendo o rosto lacrimoso para o Inquiridor, mas supondo vagamente que se tratasse do jardineiro, e que tivesse conhecimento do que havia sido feito do corpo do seu Senhor, exclamou: “Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.” Ela sabia que Jesus havia sido enterrado num sepulcro emprestado, e se o corpo já fora removido daquele lugar de repouso, ela estava pronta a providenciar outro. “Dize-me onde o puseste”, rogava ela.

Era Jesus a quem ela falava, seu amado Senhor, embora ela não o soubesse. Uma palavra de Seus lábios redivivos transformou-lhe a agoniante tristeza em júbilo estático. “Disse-lhe Jesus: Maria!” A voz, o tom, o terno acento que ela havia ouvido e amado nos dias primeiros, ergueram-na das desesperadoras profundezas em que havia mergulhado. Voltou-se, e viu o Senhor. Num transporte de júbilo, estendeu os braços para O abraçar, dizendo somente a palavra carinhosa de adoração, “Raboni”, significando: meu Amado Mestre. Jesus interceptou sua impulsiva manifestação de reverente amor, dizendo: “Não me detenhas,d porque ainda não subi para meu Pai”, e acrescentou, “mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”e

A uma mulher, a Maria de Magdala, foi dada a honra de ser a primeira entre os mortais a ver uma Alma ressurreta, e essa Alma era o Senhor Jesus.f A outras mulheres agraciadas o Senhor ressuscitado manifestou-Se a seguir, incluindo-se Maria, mãe de Jesus, Joana, e Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João. Essas e as demais mulheres atemorizaram-se com a presença do anjo na tumba, e haviam partido com um sentimento misto de temor e júbilo. Não tinham estado presentes quando Pedro e João haviam entrado na caverna, nem mais tarde quando o Senhor Se tinha dado a conhecer a Maria Madalena. Provavelmente retornaram mais tarde, pois que algumas delas parecem ter entrado no sepulcro e visto que o corpo do Senhor não estava lá. Enquanto permaneciam perplexas e atônitas, notaram a presença de dois homens em vestiduras resplandecentes, e “abaixando o rosto para o chão”, as mulheres ouviram dos anjos: “Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, dizendo: Convém que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de homens pecadores e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite. E lembraram-se das suas palavras.”g Enquanto voltavam para a cidade para comunicar a mensagem aos discípulos, “Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão a Galiléia, e lá me verão.”h

Pode-se imaginar por que Jesus teria proibido a Maria Madalena que O tocasse, e tão pouco tempo depois, tivesse permitido que outras mulheres Lhe abraçassem os pés, enquanto se curvavam em reverência. Podemos supor que a aproximação emotiva de Maria fosse motivada por um sentimento de afeição pessoal, ainda que santa, e não por impulso de adoração devocional, como demonstrado pelas outras mulheres. Embora o Cristo ressurreto manifestasse a mesma atenção amigável e íntima que mostrara no estado mortal, para com aqueles com quem Se havia associado intimamente, não mais poderia ser contado como um deles, em sentido literal. Havia Nele uma dignidade divina que impedia a familiaridade pessoal íntima. A Maria Madalena Cristo dissera: “Não me toques; porque ainda não subi a meu Pai.” Se a segunda cláusula tiver sido dita como explicação da primeira, teremos que concluir que não seria permitido que mãos humanas tocassem o corpo ressurreto e imortalizado até que Ele Se tivesse apresentado ao Pai. Parece lógico e provável que entre a impulsiva tentativa de Maria de tocar o Senhor, e a ação das outras mulheres que Lhe abraçaram os pés, inchando-se em reverente adoração, Cristo tivesse subido ao Pai, retornando depois à terra para prosseguir em seu ministério no estado ressurreto.

Maria Madalena e as outras mulheres contaram aos discípulos a história de suas diversas experiências, mas os irmãos não podiam dar crédito a suas palavras, que “lhes pareciam como desvario, e não as creram”i Depois de tudo que Cristo lhes havia ensinado a respeito de Sua ressurreição dentre os mortos no terceiro dia,j os apóstolos não eram capazes de aceitar a realidade da ocorrência; para suas mentes, a ressurreição era um evento misterioso e remoto, não uma possibilidade atual. Não havia precedente nem analogia para as histórias que aquelas mulheres contavam: de uma pessoa falecida retornar à vida, com um corpo de carne e ossos tal, que pudesse ser visto e tocado, exceto os casos do jovem de Naim, da filha de Jairo, e do amado Lázaro de Betânia, entre cujos casos de restauração à vida mortal, e a relatada ressurreição de Jesus, eles reconheciam diferenças essenciais. A aflição e o sentimento de perda irreparável que haviam caracterizado o Sábado recém-terminado foram substituídos por profunda perplexidade, e dúvidas contraditórias, nesse primeiro dia da semana. Mas enquanto os apóstolos hesitavam em crer que Cristo tivesse realmente ressuscitado, as mulheres, menos cépticas, mais confiantes, sabiam; porque O haviam visto, ouvido a Sua voz, e algumas delas tocado Seus pés.

 

Conspiração Sacerdotal de Falsidade

 

Quando os guardas romanos se recuperaram suficientemente do susto para poderem fugir do sepulcro, dirigiram-se aos principais dos sacerdotes, sob cujas ordens Pilatos os havia colocado,l e relataram as ocorrências sobrenaturais que haviam testemunhado. Os principais dos sacerdotes eram saduceus, seita ou partido do qual um traço característico era a negação da possibilidade de ressurreição dentre os mortos. Uma sessão do Sinédrio foi convocada, e o perturbador relatório da guarda foi considerado. Com o mesmo espírito em que aqueles hierarcas enganadores haviam tentado matar Lázaro, com o propósito de debelar o interesse popular pelo milagre de sua restauração à vida, conspiravam agora para desacreditar a verdade da ressurreição de Cristo, subornando os soldados para que mentissem. Disseram-lhes que afirmassem: “Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram”; e pela falsidade, ofereceram-lhes grandes somas de dinheiro. Os soldados aceitaram o suborno tentador, e fizeram como lhes fora dito, porque essa atitude lhes pareceu a melhor maneira de saírem de uma situação crítica. Se fossem considerados culpados de dormir em seus postos, a morte imediata seria sua sina;m mas os judeus os encorajaram com a promessa: “Se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.” Deve ser lembrado que os soldados haviam sido postos à disposição dos principais dos sacerdotes, e provavelmente não se requeria deles que relatassem os detalhes de seus atos às autoridades romanas.

O cronista acrescenta que, até o dia em que escrevia, a mentira de ter o corpo de Cristo sido roubado do túmulo pelos discípulos, era corrente entre os judeus. A total insustentabilidade do falso relato é evidente. Se todos os soldados estivessem adormecidos, ocorrência difícil de crer-se já que tal negligência era falta capital, como poderiam saber que alguém se aproximara do sepulcro? E mais, como poderiam provar sua afirmativa ainda que fosse verdadeira, de que o corpo havia sido roubado, e que os discípulos eram os ladrões de sepultura?n A falsa invencionice fora criada pelos principais dos sacerdotes e anciãos do povo. Nem todo o círculo sacerdotal tomara parte nela, entretanto. Alguns, que talvez haviam estado entre os discípulos secretos de Jesus antes de Sua morte, não se atemorizaram de aliar-se abertamente à Igreja quando, por meio da evidência da ressurreição do Senhor, se tornaram inteiramente convertidos. Lemos que apenas alguns meses mais tarde, “grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.”

Cristo Caminha e Conversa com Dois dos Discípulos

 

Pela tarde do mesmo domingo, dois discípulos, não dentre os apóstolos, deixaram o pequeno grupo de crentes de Jerusalém e dirigiram-se para Emaús, uma aldeia a cerca de 11 a 12 quilômetros da cidade. Só podia haver um assunto de conversa entre eles, e sobre isso discorriam enquanto andavam, citando incidentes da vida do Senhor, tratando particularmente do fato de Sua morte que tão tristemente frustrara suas esperanças de um reino messiânico, e admirando-se grandemente do incompreensível testemunho das mulheres a respeito do Seu ressurgimento como Alma vivente. Enquanto caminhavam, absortos em tristonha e profunda conversação, outro Viajor se lhes achegou; era o Senhor Jesus, “Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que O não conhecessem.” Com polido interesse, Ele lhes perguntou: “Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes?” Um dos discípulos, por nome Cléofas, replicou com surpresa mesclada de comiseração pela evidente ignorância do Estranho: “És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias?” Decidido a arrancar dos homens uma declaração completa do assunto que tão evidentemente os agitava, o não reconhecido Cristo perguntou: “Quais?” Eles não podiam permanecer reticentes. “As que dizem respeito a Jesus Nazareno,” explicaram, “que foi varão profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo: E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram.” Em tom pesaroso, prosseguiram dizendo como haviam confiado que Jesus, agora crucificado, haveria de provar ser o Messias enviado para redimir Israel; mas ai deles! aquele era o terceiro dia desde quando havia sido morto. Então, com os semblantes mais desanuviados, mas ainda perplexos, falaram de algumas mulheres do seu grupo que os assombraram na manhã daquele mesmo dia, dizendo que haviam visitado o sepulcro bem cedo, descobrindo que o corpo do Senhor não estava lá, mas, “também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive.” Além do mais, outros além das mulheres haviam ido ao sepulcro, e verificado a ausência do corpo, mas não haviam visto o Senhor.

Jesus então, repreendendo mansamente os companheiros de viagem como néscios e tardos de coração em sua hesitante aceitação do que os profetas haviam falado, perguntou-lhes impressivamente: “Porveritura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” E começando com as inspiradas predições de Moisés, expôs-lhe as escrituras, tocando em todas as declarações proféticas concernentes à missão do Salvador. Tendo continuado com ós homens até o seu local de destino, Jesus “fez como quem ia para mais longe”, mas eles insistiram que permanecesse, porque o dia já declinava. Ele aceitou seu tratamento hospitaleiro e entrou na casa, e assim que a frugal refeição foi preparada, assentou-Se com eles à mesa. Como Convidado de honra, tomou o pão, “o abençoou e o partiu, e lhos deu.” Deve ter havido alguma coisa no fervor da bênção, ou na maneira de partir e distribuir o pão, que reativou lembranças de dias anteriores; ou possivelmente eles perceberam as mãos feridas; mas não importando qual a causa imediata, eles olharam atentamente para o seu Convidado, e “abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.” No paroxismo de jubiloso pasmo, levantaram-se da mesa, surpresos de si mesmos, por não O haverem reconhecido antes. Disse um ao outro: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” Imediatamente voltaram sobre seus passos e apressaram-se de volta para Jerusalém para confirmar com seu testemunho o que, antes, os irmãos haviam sido tardos em crer.

O Senhor Ressurreto Aparece aos Discípulos em Jerusalém e Come em Sua Presença

 

Quando Cléofas e o companheiro alcançaram Jerusalém naquela noite, encontraram os apóstolos e outros crentes devotos em solene e reverente debate a portas fechadas. Precauções de manter segredo haviam sido tomadas “por temor dos judeus”. Até mesmo os apóstolos haviam sido dispersados pela prisão, acusação e assassinato judicial de seu Mestre; entretanto eles, e os discípulos em geral, reagrupavam-se ante a notícia da ressurreição, como o núcleo de um exército prestes a varrer o mundo. Os dois discípulos que retornavam foram recebidos com a jubilosa proclamação: “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão.” Essa é a única menção feita pelos evangelistas, do aparecimento pessoal de Cristo a Simão Pedro naquele dia. O encontro do Senhor com Seu apóstolo dantes trânsfuga, mas agora arrependido, deve ter sido extremamente comovedor. O arrependimento de Pedro, marcado pelo remorso por haver negado Cristo no palácio do sumo sacerdote fora profundo e contristador; ele deve ter duvidado que jamais o Mestre viesse a chamá-lo de servo; entretanto a esperança deve ter-lhe renascido da mensagem trazida da tumba pelas mulheres, na qual o Senhor enviava saudações aos apóstolos, aos quais pela primeira vez chamava de irmãos,r sendo que dessa caracterização honrosa e afetiva, Pedro não havia sido excluído; além do mais, a designação dada pelos anjos às mulheres tinha dado preeminência a Pedro, mencionandoo em particular.s Ao arrependido Pedro, o Senhor veio indubitavelmente com indulto e amorosa confirmação. O próprio apóstolo mantém reverente silêncio a respeito da visita, mas o acontecimento é apresentado por Paulo como uma das provas definitivas da ressurreição do Senhor.t

Depois do jubilante testemunho dos crentes reunidos, Cléofas e o companheiro de viagem contaram da companhia que o Senhor lhes fizera na estrada de Emaús, das coisas que lhes ensinara, e da maneira como se lhes tornara conhecido ao partir o pão. Enquanto o pequeno grupo permanecia reunido, “o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco”. Amedrontados, supunham com supersticioso pavor que um espírito se havia introduzido em seu meio. Mas o Senhor os confortou, dizendo: “Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” Mostrou-lhes então os ferimentos nas mãos, nos pés e no lado. “Não o crendo eles ainda por causa da alegria”, ou seja, achando a realidade que todos estavam testemunhando demasiadamente boa, demasiadamente gloriosa, para ser verdadeira. Para mais lhes garantir que não era uma forma nebulosa, um ser imaterial de substância tênue, e sim um Personagem vivente com órgãos corporais internos tanto quanto externos, perguntou-lhes: “Tendes aqui alguma coisa que comer?” Deram-lhe parte de um peixe assado e outros alimentos,u que Ele tomou “e comeu diante deles”.

Aquelas evidências inquestionáveis da corporeidade do Visitante acalmaram e devolveram à razão a mente dos discípulos; e agora que estavam controlados e receptivos, o Senhor recordou-lhes que todas as coisas que Lhe haviam acontecido estavam de acordo com o que Lhes dissera enquanto vivera entre eles. Em Sua divina presença, o entendimento deles foi avivado e ampliado, de maneira que compreenderam as escrituras como nunca anteriormente — a Lei de Moisés, os livros dos profetas e os salmos — concernentes a Ele. Que Sua morte, agora passada, era necessária, Ele atestou tão plenamente quanto havia predito e afirmado anteriormente, e então lhes disse: “Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos; e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas.”

Alegraram-se então os discípulos. Estando para partir, o Senhor deu-lhes Sua bênção, dizendo: “Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. Esta especificação de homens enviados por autoridade aponta diretamente para os apóstolos: “E havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.”

 

Tomé, o Que Duvidou

 

Quando o Senhor Jesus aparecera no meio dos discípulos na noite do domingo da ressurreição, um dos apóstolos estava ausente: era Tomé. Informado do que os demais haviam testemunhado, permanecia ainda em dúvida; até mesmo o solene testemunho deles: “Vimos o Senhor”, não conseguiu despertar um eco de fé em seu coração. Em seu estado de cepticismo mental, exclamou: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos e não meter o dedo no lugar dos cravos, e não meter a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”. Devemos ter cautela e caridade em concluirmos nosso julgamento sobre a atitude de incredulidade desse homem. Dificilmente ele poderia haver duvidado das circunstâncias tão bem confirmadas sobre o sepulcro vazio, ou da veracidade de Maria Madalena e das outras mulheres quanto à presença de anjos e do aparecimento do Senhor, ou do testemunho de Pedro, ou do grupo reunido; mas pode ter considerado as manifestações relatadas como uma série de visões subjetivas; e a ausência do corpo do Senhor pode ter sido considerada vagamente como o resultado da sobrenatural restauração de Cristo à vida, seguida de uma partida corpórea e final da terra. As manifestações corporais do Senhor ressurreto, a exibição dos ferimentos provocados pela crucifixão, o convite a que tocassem e sentissem o corpo ressuscitado de carne e ossos, é que faziam Tomé hesitar. Ele não tinha uma concepção tão definida da ressurreição, que pudesse concordar com um crédito literal do testemunho dos irmãos è irmãs que haviam visto, ouvido e sentido.

Uma semana mais tarde, pois que assim deve ser entendida a designação judaica: “depois de oito dias”; e por conseguinte no domingo seguinte, dia que veio mais tarde a ser conhecido na Igreja como o “Dia do Senhor”, e a ser observado como Sábado em lugar do sábado mosaico,x os discípulos estavam novamente reunidos, e Tomé estava com eles. A reunião realizava-se a portas fechadas e provavelmente guardadas, porque havia perigo de interferência de oficiais judeus. “Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.”

A mente céptica de Tomé foi instantaneamente purgada, seu duvidoso coração purificado, e a convicção da gloriosa verdade inundou-lhe a alma. Em contrita reverência, curvou-se ante o Salvador, exclamando em devoto reconhecimento da divindade de Cristo: “Senhor meu, e Deus meu!” Sua adoração foi aceita, e o Salvador disse: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.”

No Mar da Galiléia

 

O anjo no sepulcro, e o próprio Cristo ressurreto, haviam repetidas vezes enviado palavra aos apóstolos para que fossem para a Galiléia, onde o Senhor os encontraria, como dissera antes de morrer.z Eles retardaram a partida até a semana depois da ressurreição, e então, uma vez mais em sua província de nascimento, esperaram pelos acontecimentos. Na tarde de um daqueles dias de espera, Pedro disse a seis de seus companheiros de apostolado: “Vou pescar”; e os outros replicaram: “Também nós vamos contigo”. Sem demora, embarcaram num bote de pesca e embora labutassem toda a noite, a rede havia sido recolhida vazia depois de cada lançamento. Aproximando-se a manhã, achegaram-se para a terra, desapontados e desanimados. No crepúsculo matutino, foram saudados da praia por Alguém que lhes perguntou: “Filhos, tendes alguma coisa de comer?”a Responderam-lhe: “Não”. Tinha sido Jesus quem fizera a pergunta, embora ninguém no barco O houvesse reconhecido. Dirigiu-Se-lhes Ele novamente dizendo: “Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.” Haviam feito como se lhes havia dito e o resultado foi tão surpreendente, que lhes pareceu miraculoso; o fato deve ter-lhes despertado lembranças de outra memorável pescaria, na qual a sua capacidade de pescadores havia sido insuficiente para tirar os peixes, e pelo menos três testemunhas do milagre anterior estavam no bote no momento.b

João, rápido em discernir, disse a Pedro: “É o Senhor”; e Pedro, impulsivo como sempre, rapidamente se cingiu com a túnica de pescador e lançou-se ao mar, para alcançar terra o mais cedo possível e prostrar-se aos pés do Mestre. Os outros deixaram o barco maior e entraram num bote de pequenas dimensões e remaram para a praia, rebocando a rede pesadamente carregada. Em terra, viram brasas e um peixe posto em cima, e pão. Jesus disse-lhes que trouxessem dos peixes que haviam acabado de pescar, e a essa instrução o vigoroso Pedro respondeu, lançando-se aos baixios e arrastando a rede para a praia. Quando contado, verificou-se que o conteúdo da rede era formado de cento e cinqüenta e três grandes peixes, e o narrador preocupa-se em anotar que “sendo tantos, não se rompeu a rede.”

Disse então Jesus: “Vinde, comei”; e como anfitrião daquela refeição, repartiu o pão e o peixe. Não é dito que tenha comido com os convidados. Todos sabem que era o Senhor quem tão hospitaleiramente os servia, entretanto naquela ocasião como em todas as demais em que apareceu em Seu estado ressurreto, havia Nele um aspecto que infundia respeito e provocava retraimento. Eles teriam desejado argui-Lo, mas não ousavam. João informa-nos que aquela era “a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos”; donde concluímos que a ocasião era a terceira em que Cristo Se havia manifestado aos apóstolos, em agrupamento completo ou parcial, porque, incluindo-se o aparecimento a Maria Madalena, às outras mulheres, a Pedro e aos dois discípulos no caminho de Emaús, esta era a sétima aparição registrada do Senhor Ressurreto.

Terminada a refeição, “disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?” A pergunta, ainda que feita com mansidão, deve ter oprimido o coração de Pedro, associada como estava com a recordação da afoita afirmação, embora pouco merecedora de crédito: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei”; seguida de sua negativa de jamais haver conhecido o Homem.  À pergunta do Senhor, Pedro respondeu com humildade: “Sim, Senhor; tu sabes que te amo”. Disse então Jesus: “Apascenta os meus cordeiros.” A pergunta foi repetida e Pedro replicou com palavras idênticas, ao que o Senhor retrucou: “Apascenta as minhas ovelhas”. Terceira vez ainda Jesus perguntou: “Simão, filho de Jonas, amas-me?” Pedro estava sentido e magoado com aquela reiteração, pensando talvez que o Senhor desconfiava dele; mas assim como o homem havia negado três vezes, do mesmo modo recebia a oportunidade de uma tríplice confissão. À pergunta formulada pela terceira vez, replicou Pedro: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.” Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas.”

A designação: “Apascenta as minhas ovelhas” era uma declaração de confiança do Senhor, e da realidade da presidência de Pedro entre os apóstolos. Ele havia anunciado enfaticamente sua prontidão em seguir o Mestre até mesmo à prisão e à morte. Agora o Senhor que havia morrido, lhe dizia: “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.” João informa-nos que o Senhor assim falou significando a morte pela qual Pedro encontraria lugar entre os mártires; a analogia indica a crucifixão, e a história é unânime em afirmar que essa foi a morte com que Pedro selou seu testemunho de Cristo.

Disse então o Senhor a Pedro: “Segue-me.” A ordem tinha significação tanto imediata quanto futura. Ele O seguiu quando Jesus Se apartou dos outros na praia; entretanto, alguns anos mais tarde, Pedro haveria de seguir o Seu Senhor na cruz. Indubitavelmente, Pedro compreendeu a referência a seu martírio, conforme seus escritos indicariam anos mais tarde.e Enquanto Cristo e Pedro caminhavam juntos, este, voltando-se para trás, viu que João os acompanhava, e indagou: “Senhor, e deste que será?” Pedro queria perscrutar o futuro em relação ao destino do companheiro — deveria João também morrer pela fé? O Senhor replicou: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?”.

Isto era uma admoestação a Pedro para que cuidasse do seu próprio curso do dever e seguisse o Mestre fosse qual fosse o destino do caminho.

João acrescenta a respeito de si mesmo: “Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer; Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?” O fato de que João ainda vive com o mesmo corpo, e assim permanecerá na carne até o advento ainda futuro do Senhor, é atestado por revelação posterior.  Em companhia de seus companheiros martirizados e ressurretos, Pedro e Tiago, o “discípulo a quem Jesus amava” oficiou na restauração do Santo Apostolado nesta dispensação da plenitude dos tempos.

Outras Manifestações do Senhor Ressuscitado na Galiléia

 

Jesus havia designado um monte na Galiléia onde Se encontraria com os apóstolos, e para lá se dirigiram os Onze. Quando O viram no lugar designado, adoraram-No. O relato acrescenta “mas alguns duvidaram”, donde se pode concluir que outros além dos apóstolos estariam presentes, dentre os quais haveria alguns não convencidos da corporeidade do Cristo ressurreto. Essa ocasião pode ter sido aquela de que Paulo escreveria um quarto de século mais tarde, afirmando que Cristo “fora visto por mais de quinhentos irmãos ao mesmo tempo”, dos quais, embora alguns houvessem morrido, a maior parte permanecia viva ao tempo em que Paulo escrevia, como testemunhas vivas do que ele dizia.a

Aos que se reuniram no monte, declarou Jesus: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”, o que não poderia ser entendido como nada menos que a afirmação de Sua divindade absoluta. Sua autoridade era suprema, e aqueles que fossem por Ele comissionados deveriam ministrar em Seu nome, e por um poder tal, como nenhum homem poderia conferir, nem tomar.

Designação Final e Ascensão

 

Durante todo o período dos quarenta dias que se seguiram à ressurreição, o Senhor manifestou-se aos apóstolos a intervalos; a alguns individualmente e a todos em conjunto,h e os instruiu no “que respeita ao reino de Deus.”i O registro nem sempre é específico e definido quanto à ocasião e lugar de eventos particulares, mas no que se refere ao sentido das instruções do Senhor durante esse período, não há razão para dúvidas. Muito do que Ele disse e fez não está escrito,j entretanto as coisas que foram registradas, afirma João aos seus leitores, “foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”k

Quando se aproximava o tempo de Sua ascensão, disse o Senhor aos onze apóstolos: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.”l Em contraste com a designação anterior, pela qual haviam sido enviados somente “às ovelhas perdidas da casa de Israel,”m agora deveriam ir aos judeus e gentios, escravos e livres, à humanidade em geral, de qualquer nação, país e língua. A salvação por meio da fé em Jesus Cristo, seguida pelo arrependimento e o batismo, deveria ser livremente oferecida a todos, e daquele tempo em diante, a negativa ao oferecimento traria condenação. Sinais e milagres foram prometidos para “seguirem os que cressem”, confirmando, assim, a sua fé no poder divino; mas nenhuma insinuação foi feita de que tais manifestações devessem preceder a crença, como chamariz para prender os crédulos buscadores de milagres.

Reafirmando aos apóstolos que a promessa do Pai se cumpriria com a vinda do Espírito Santo, o Senhor instruiu-os a que permanecessem em Jerusalém, para onde haviam retornado, vindos da Galiléia, até que fossem “do alto revestidos de poder”;n e acrescentou: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo; não muito depois destes dias.”o

Naquela última e solene entrevista, provavelmente enquanto o Salvador conduzia os Onze para fora da cidade em direção ao velho refúgio familiar no Monte das Oliveiras, os irmãos, ainda imbuídos da idéia do reino de Deus como uma instituição terrena de poder e domínio, indagaram-Lhe: “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Respondeu-lhes Jesus: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e serme-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”.p O dever deles foi assim definido e acentuado: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém”.q

Quando Cristo e os discípulos haviam saído “fora, até Betânia”, o Senhor levantou as mãos e os abençoou; e enquanto ainda falava, elevou-Se do meio deles, e eles O fitavam enquanto ascendia até que uma nuvem O recebeu fora da sua vista. Enquanto os apóstolos permaneciam olhando firmemente para cima, dois personagens vestidos de roupagens brancas, apareceram-lhes, e disseram aos Onze: “Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”r

Reverentemente e cheios de júbilo, os apóstolos tornaram a Jerusalém, para ali esperar a vinda do Consolador. A ascensão do Senhor havia-se realizado; fora tão verdadeiramente a partida de um Ser material, quanto Sua ressurreição havia sido um verdadeiro retorno do espírito ao corpo material, até então morto. Com o mundo restou, e ainda resta, a gloriosa promessa de que Jesus Cristo, o mesmo Ser que ascendeu do Monte das Oliveiras em Seu corpo imortalizado de carne e ossos, retornará, baixando dos céus, em semelhante forma e substância material.

 

Notas Do Capítulo 37

A hora e a maneira exatas da saída de Cristo da tumba, não são conhecidas. — Nosso Senhor predisse de maneira definida Sua ressurreição dos mortos ao terceiro dia,  Mateus 16; 21. 17; 23, e 20; 19.  Marcos 9; 31, e 10; 34.  Lucas 9; 22, 13; 32, e 18; 33;  e os anjos no sepulcro,  Lucas 24; 7,  bem como o Senhor ressuscitado em pessoa,  Lucas 24; 46,  declararam o cumprimento das profecias; e os apóstolos igualmente o testificaram em anos posteriores  Atos 10; 40, e 1 Coríntios 15; 4.  Esta especificação do terceiro dia não deve ser entendida como significando após três dias completos. Os judeus começavam a contagem das horas do dia ao pôr-do-sol, de maneira que a hora anterior ao pôr-do-sol e a que se lhe seguia, pertenciam a dias diferentes. Jesus morreu e foi sepultado durante a tarde da sexta-feira. Seu corpo permaneceu na tumba, morto, durante parte da sexta-feira (primeiro dia), durante todo o sábado, ou como nós dividimos os dias, desde o pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol do sábado (segundo dia), e parte do domingo (terceiro dia). Não sabemos a que hora, entre o pôr-do-sol de sábado e a madrugada de domingo, Ele Se levantou.

O fato de haver ocorrido um terremoto, e de que o anjo do Senhor desceu e rolou a pedra do portal da tumba na antemanhã de domingo (pois que assim concluímos de  Mateus 28; 1, 2,  não prova que Cristo ainda não tivesse ressuscitado. A grande pedra fora rolada para trás e o interior do sepulcro exposto à vista, para que os que chegassem pudessem ver por si mesmos que o corpo do Senhor não estava mais lá; não era necessário abrir o portal para preparar uma saída para o Cristo ressurreto. Em Seu estado imortalizado, Ele aparecia e desaparecia de aposentos fechados. Um corpo ressuscitado, embora de substância tangível, e possuidor de todos os órgãos de um tabernáculo mortal, não está preso à Terra pela gravidade, nem pode ser impedido em seus movimentos por barreiras materiais. Para nós, que só concebemos o movimento nas direções relacionadas com as três dimensões do espaço, a passagem de um sólido como um corpo vivo de carne e ossos, através de paredes de pedra, é forçosamente incompreensível. Mas o fato de que os seres ressuscitados se movem de acordo com leis que tornam possível tal passagem e até natural para eles, é evidenciado não só pelos incidentes relacionados com o Cristo ressurreto, mas também pelos movimentos de outros personagens ressuscitados. Assim, em setembro de 1823, Moroni, o profeta nefita que tinha morrido cerca de 400 A.D., apareceu a Joseph Smith em seu quarto, três vezes numa só noite, vindo e indo sem impedimento relacionado com paredes e teto ver  P. G. V., Joseph Smith 1; 43; também Regras de Fé, cap. 1. Verifica-se que Moroni era um homem ressuscitado pela corporeidade que manifestou ao manusear as placas metálicas em que estavam gravados os registros que conhecemos como Livro de Mórmon. De igual maneira, os seres ressuscitados possuem o poder de tornarmos visíveis ou invisíveis à visão física dos mortais.

 

Tentativas de desacreditar a ressurreição por meio de falsidades. —

 

A inconsistente assertiva de que Cristo não havia ressuscitado, mas que Seu corpo fora roubado da tumba pelos discípulos, foi suficientemente examinada no texto. A falsidade é a sua própria refutação. Incrédulos de época posterior, reconhecendo o palpável absurdo dessa grosseira tentativa de deturpação, não hesitaram em sugerir outras hipóteses, cada qual conclusivamente insustentável. Desse modo, a teoria baseada na impossível suposição de que Cristo não estaria morto quando retirado da cruz, e sim num estado de coma ou desfalecimento, e que fora mais tarde ressuscitado, nega-se a si mesma, quando considerada em conexão com os fatos registrados. O golpe de lança do soldado romano teria sido fatal, mesmo que a morte ainda não houvesse ocorrido. O corpo foi baixado, manuseado, vestido e sepultado por membros do conselho judaico que não podem ser considerados como atores no sepultamento de um homem vivo; e no que se refere à subseqüente ressurreição, Edersheim (vol. 2, p. 626) incisivamente nota: “Para não falarmos dos muitos absurdos que essa teoria envolve, ela realmente transfere, se inocentarmos os discípulos de cumplicidade, a fraude para o próprio Cristo.” Uma pessoa crucificada, retirada da cruz antes de morrer, e subseqüentemente reavivada, não poderia andar com pés traspassados e lacerados no mesmo dia de Sua ressurreição, como Jesus fez na estrada de Emaus. Outra teoria, que teve os seus dias, é a do engano inconsciente por parte dos que afirmaram ter visto o Cristo ressuscitado, tendo sido vítimas de visões subjetivas mas irreais, produzidas por sua própria condição imaginativa e excitada. A independência e marcada individualidade das várias aparições registradas do Senhor contrariam a teoria da visão. Tais ilusões visuais subjetivas conforme afirmado por essa hipótese, pressupõem um estado de expectação da parte daqueles que pensam ver; mas todos os incidentes relacionados com as manifestações de Jesus depois da ressurreição, foram diretamente opostos à expectativa daqueles que se tornaram testemunhas de Seu estado ressurreto.

Os exemplos anteriores, de teorias falsas e insustentáveis a respeito da ressurreição de nosso Senhor, foram citados para referir as numerosas tentativas frustradas de invalidar o maior milagre e o mais glorioso fato da história. A ressurreição de Jesus Cristo é comprovada por evidência mais conclusiva que aquela sobre a qual repousa nossa aceitação dos fatos históricos em geral. Ainda assim, o testemunho da ressurreição de nosso Senhor dentre os mortos não se fundamenta em páginas escritas. Ao que busca com fé e sinceridade, será dada uma convicção individual que o habilitará a confessar reverentemente, como exclamou o iluminado apóstolo do passado: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Jesus, que é Deus, o Filho, não está morto. “Eu sei que o meu Redentor vive.”  Jó 19; 25.

 

Aparições registradas de Cristo entre a ressurreição e a ascensão. —

 

1. A Maria Madalena, perto do sepulcro,  Marcos 16; 9, 10, e João 20; 14.   

 

2. A outras mulheres, num lugar não especificado entre o sepulcro e Jerusalém,  Mateus 28; 9.

 

3. A dois discípulos no caminho de Emaús,  Marcos 16; 12, e Lucas 24; 13.  

 

4. A Pedro em Jerusalém ou proximidades,  Lucas 24; 34, e 1 Coríntios 15; 5.

 

5. A dez dos apóstolos e outras pessoas em Jerusalém,  Lucas 24; 36, e João 20; 19.

 

6. Aos onze apóstolos em Jerusalém,  Marcos  Marcos 16; 14, e João 20; 26.  

 

7. Aos apóstolos no mar de Tiberíades, na Galiléia,  João 21.

 

8. Aos onze apóstolos num monte na Galiléia,  Mateus 28; 16.

 

9. A quinhentos irmãos de uma só vez, 1 Coríntios 15; 6. localidade não especificada, mas provavelmente na Galiléia.

 

10. A Tiago,  1 Coríntios 15; 7.  Note-se que nenhum registro é feito dessa manifestação pelos evangelistas.

 

11. Aos onze apóstolos ao tempo da ascensão, no Monte das Oliveiras, próximo de Betânia Marcos 16; 19. Lucas 24; 50, 51.

 

As manifestações do Senhor, depois da ascensão, serão consideradas mais adiante.

 

Irmão messias